Leisses escreveu: Não sei pra vocês mas pra mim interpretação é algo completamente pessoal do jogador e não é porque o sistema mostra mais ou menos regras que ele vai interferir nisto. Acredito que o que realmente interfere na interpretação do personagem é a ambientação do sistema. E nisto o D&D não perde em nada para o Vampiro ou qualquer outro sistema pois possui uma ambientação rica e cheia de mundos variados onde os personagens podem fazer o que acham melhor em mundos de fantasia medieval.
A qualidade da interpretação, não se sentido me melhor ou pior, mas daquilo que você interpreta, é inerente ao sistema. Como um exemplo simples, eu lhe digo que por mais que você queira, você não pode interpretar a idéia de morte iminente a todo momento jogando D&D, enquanto é obrigado a fazer isto jogando Legends of the Five Rings ou Shadowrun.
Como uma resposta mais longa, segue um exemplo um pouco mais complexo.
Digamos que você resolveu jogar com uma versão do Raistling Majere, personagem da Crônicas de Dragonlance que é um mago relativamente poderoso mas que tem o corpo frágil, e vive desmaiando no meio dos combates para ser salvo pelo seu irmão, um guerreiro. Se vc quiser fazer este personagem em um sistema como Shadowrun poderá comprar uma desvantagem que faz com que seu personagem perca mais pontos de vida (Condition Monitor, no Shadowrun) que o normal ao fazer magias... assim sendo, a todo momento que faz magias o personagem e o jogador terão de conviver com o fato de que o destino (os dados) poderão fazê-lo desmaiar ou ficar fraco em um momento completamente inoportuno. Ele é obrigado a conviver com isto.
Se você quiser criar o mesmo personagem no D&D você terá de descrever este problema do seu personagem... terá o direito de interpretá-lo assim, mas sem a alavanca de um sistema de regras fora de seu controle, poderá optar por desmaiar ou ficar fraco apenas quando for oportuno, evitando situações de perigo iminente. Ou seja, a "sensação" de que algo pode acontecer se vai... o "algo" só acontece quando você quer interpretá-lo.
A segunda opção é seu desmaio ser controlado pelo DM, e assim sendo a situação do iminente volta a existar... mas sob a arbitrariedade do mestre.
Um último caso seria a idéia de se criar uma regra. (Digamos, no caso das regras do 3.5, que cada vez que o mago solta uma magia ele rola um D20, e se o resultado for menor que o nível efetivo da magia, ele desmaia) E assim você está criando uma house-rule, e consequentemente criando uma "ferramenta para sustentar a interpretação".
É um pouco daquilo que lí em uma das críticas do 4e como Realidade Dissossiativa. Você interpreta aquilo que o sistema lhe concede... se o sistema lhe concede um personagem que precisa de diversos golpes para morrer e etc, você não interpretará um medo tão grande da morte quanto se estiver em um sistema aonde seu personagem pode morrer a cada golpe.
Um é melhor que o outro? Claro que não. Cada sistema que faz um ótimo trabalho em criar um suporte para aquilo que ele se propõe como cenário de jogo. Mas que a "realidade relativa" do cenário está intimamente ligada ao sistema de jogo que você utiliza, isto está.
Corvo da Tempestade escreveu:E você toma "penalidades" se não interpretar seu alinhamento
Não sou muito versado em D&D... mas existem penalidade em não se interpretar o alinhamento?? Digo, além daquelas classes na qual o alinhamento é uma exigência?? Jogo D&D muito mais em games de PC do que na mesa... e ao menos lá, o alinhamento é guiado por sua "interpretação" (entre aspas, pois no caso do computador é muito mais uma questão de escolher entre as opções propostas à você) do que o contrário... e a penalidade só surge caso você tenha uma classe restrita por alinhamento, e acaba saindo de dentro da área restrita.