Silva escreveu:Deicide, no futebol fazer um gol de longe de perna não-dominante, ou acertar um jump-shot no basquetebol com a mão não-dominante são coisas extremamente difíceis. Sua tentativa de diminuir tais ações me levam a crer que você não conhece, na prática, tais atividades na vida real.
De onde você tirou o basquetebol? Não tinha no seu post original e mesmo que tenha e eu não tenha visto, eu nem comentei ele, só falei do chute. Então nem tente pôr "palavras em minha boca".
Ah, e eu sou horrível em futebol e já fiz gol com a perna errada. Todas de pura cagada, nunca deliberadamente (eu sou ruim desse tanto). Tem uma baita diferença entre tentar CHUTAR UMA BOLA (um ato simples) com a perna errada (o que torna o ato mais complexo, mas ainda assim fundamentado num movimento instintivo e fundalmente simples) do que fazer um chute giratório que acerta duas pessoas (um movimento completamente deliberado que não se baseia em instinto).
E quanto a "dar um chute giratório acertando 2 ao mesmo tempo" pode ser feito no improviso sim, e não precisa de "anos de treinamento em artes marciais" - precisaria se o individuo quisesse repetir esse feito com segurança e estabilidade - mas não se alguem tentar num momento de improviso.
Pode ser feito de improviso? Claro. Mas em quantas tentativas deliberadas você espera conseguir? Você acha que vai acertar de primeira? Vai continuar tentando e tentando e tentando até acertar, enquanto leva porrada dos oponentes? Olha bem no que você está falando: você está me dizendo que basta querer e improvisar que tem uma chance. Claro, tem, mas é viável? Então porque você espera que no RPG seja só um ato de querer e fazer?
Aliás, vou além - dos meus anos de prática em artes marciais, nunca vi uma técnica que não possa ser realizada por algum leigo. Basta ao leigo ter o insight e inspiração necessários ( e um pouco de raciocínio, claro). Seja um martelo da capoeira, uma kimura ou armlock de jujitsu, um kotegaeshi do aikido, ou um Upper do Boxe. A única diferença é que o praticante marcial fará a técnica com precisão, método e segurança (já que a treinou e aperfeiçoou), enquanto o leigo pode aplicá-la sem essas qualidades. É um mito a idéia de que "artistas marciais" executam técnicas sofisticadas que precisam de décadas para serem executadas - vida real não é DragonballZ nem Naruto.
Ah, claro, sem o preparo e o treino, você espera que um leigo faça esse tipo de coisa... sem precisão, método e especialmente segurança. Agora me diga, isso é executar a manobra? Ou é atacar a esmo, de forma completamente ineficiente, sem saber o que está tentando fazer e ainda se machucando no processo (ai, minhas juntas)?
Conta outra, cara! Quanta gente na rua você acha que é capaz de fazer algo assim? Sua melhor maneira de provar é ensinando o golpe a um leigo e depois falando para ele repetir, mas aí você já o ensinou, e por pior que ele o faça, ele já tem algum conhecimento de como fazer. Agora, pegue um alterofilista qualquer (que tenha força e resiliência) e simplesmente fale: "Dê um chute giratório que acerta duas pessoas". Ele não vai nem saber por onde começar! Quanto mais pensar em fazer isso no meio de um combate, quando é muito mais eficiente usar golpes mais simples que, pelo menos, irão acertar o oponente.
O modelo que ilustra isso de forma simples e corerente é Gurps - quando não se tem a skill necessária para a situação, basta usar o atributo dominante ou uma skill correlata, com penalidades. Porém cada skill é classificada em fácil, médio, ou difícil. As fáceis e médias correspondem justamente a esses feitos que podem ser improvisados (Natação, Chutes Giratórios, Armlocks aéreos, Kimuras, Kotegaechis, Chutes de longe com perna não-dominante, salto mortal, etc.) mas as skills difíceis representam feitos que necessitam de um treinamento/estudo prévio ( como "Falar Latim", ou "história bizantina" ). Isso é mais próximo da vida real, porque os feats/talentos/skill/traits/etc. não são necessariamente impossíveis. Existe um gradiente de dificuldade.
GURPS é famoso pelas regras extensas que tentam ser realistas, mas nem todo sistema tem esse tipo de ambição. D&D, já que é o foco aqui, abstrai muita coisa. Ele diz que você faz um ataque, mas não ex´plicita como é esse ataque. Um monge pode estar dando saltos voadores, cambalhotas e piruetas, chutes impossíveis, enquanto rola um ataque normal. O Talento serve para te dar uma vantagem mecânica, como empurrar o oponente para trás, acertar dois alvos num golpe só ou atordoar o alvo. O Talento indica um treino específico e deliberado para se desenvolver essas técnicas mais complexas.
E é assim com todas atividades físicas. Qualquer um pode tentar um salto mortal triplo de ginástica olímpica. O treinamento vai aumentar suas chances de sucesso e perfeição de movivmentos, mas isso não quer dizer que um leigo não consiga executá-lo no improviso quando a necessidade surgir, ainda que de forma descontrolada e sem a beleza estética de um praticante.
Beleza, e quantos personagens de RPG você já viu quebrarem os braços ou as costas ao tentarem fazer isso? No sistema do GURPS tem essa possibilidade, ou eles simplesmente consideram uma "falha" e um pouquinho de dano?
EDIT
Besteira. Não é porque alguem chamou um estrangulamento com gola de pano de "Ezequiel" , ou uma alavancada de braço de "Kimura" que algum leigo não possa fazer isso de improviso no meio da porrada. Quem inventou isso não criou absolutamente nada - apenas deu nome a algo que sempre existiu. Ao ponto de existirem as mesmas técnicas em várias artes só que com nomes diferentes, provando que as mesmas são "descobertas" por várias pessoas diferentes, em difernetes cantos do mundo. Por exemplo, a Kimura é chamada Americana no ocidente, o Maegeri do Karate é chamado de Martelo pela capoeira, O Jab do Boxe é chamado de Soco Frontal no Krav Magá, etc.
Cara, tem um motivo para darem um nome e ensinarem como fazer. É claro que todos os movimentos de artes marciais são baseados em capacidades naturais do corpo, mas eles foram criados através do estudo, do treinamento e do aperfeiçoamento. Falar que um leigo pode executá-los é o mesmo que dizer que qualquer um pode cantar bem ou escrever um livro. E não pode!
O problema do RPG é que você testa e vê se teve sucesso ou não. Aí de repente você vai, digamos, cantar, faz um teste com penalidade -10 e por sorte tem sucesso. Isso significa que sua música tem qualidade de primeira? Longe disso. Em praticamente tudo na vida dá de diferenciar sorte de principiante e a técnica de um profissional da área. Mas você sustenta que um leigo pode fazer coisas extrememente complexas na sorte, simplesmente porque o RPG abstrai as coisas em "sucesso" e "fracasso"? É mais fácil para as regras dizerem: "Você não pode tentar isso" do que dizer: "Sua chance é de 1 em 100", boa sorte. Em ambos os casos, um cara esperto não vai tentar fazer.
Você é melhor do que isso. Se sabe exatamente os golpes que eu descrevi(Apesar que confundiu o Kimura, um golpe a palma da mão, com o outro Kimura, a chave de braço que na nossa academia chamamos de "Americana", mas isso varia de academia e academia) então você deve saber que elas não são faceis de se fazer, especialmente sobre a pressão. Eu sou bom com técnicas, o melhor da classe inclusive, e eu demoro geralmente duas semanas para me acostumar com um golpe novo e seus nuances, especialmente quando os contra golpes entram.

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Bons tempos aqueles em que você podia por um satã travesti num desenho de criança.




