Na verdade Kasuya a gente que acabou levando para o lado das declarações dele
Na verdade o Lanzi abriu o tópico para falar sobre o movimento pró Bolsonaro que está se criando.
Então. Foi por isso que eu acabei lendo as três páginas, na esperança de ver comentários sobre o que fora inicialmente postado, não essa história do Emil.
Pode ser. Em um país de tradição militarista (ou para ser preciso, onde os militares são vistos como defensores de princípios republicanos ou tradições monárquicas), cabe os aos militares resguardarem a "ordem estabelecida", mesmo que para isso seja preciso que eles "tomem conta do país por um período". Exemplos disso são o Brasil no Regime Militar, a Espanha Franquista (Franco levou a um restabelecimento da Monarquia - e depois da sua morte, do Parlamentarismo) e a Turquia Kermalista (Golpe de 1997).
Defender princípios republicanos ou tradições monárquicas ou mesmo a monarquia nada mais tem a ver com a Direita. Tudo bem, essa história de direita teve origem no conservadorismo da ordem monárquica e essa história toda, mas atualmente é só o contrário do aumento da força do Estado (aliás, idealismo de Esquerda, até onde eu sei), ou seja a redução da força e influência do Estado na sociedade, o que atualmente é chamado de Liberalismo.
Sob a ótica atual, é mais fácil concluir que ditadura é uma idealização de Esquerda, já que há um aumento substancial da força e atuação do Estado nesse tipo de regime (na verdade, elas se tornam absolutas ou muito próximas disso). É uma coisa meio controversa, porque termina que ambos os lados acabam por acusar um ao outro da mesma coisa, um com um "meu passado me condena" na testa, o outro com um "eu sei o que você precisa e vou garantir isso nem que você não queira".
Enfim, sua resposta "pode ser" não podia ser melhor empregada, já que podemos estar acusando o direitista pelo passado. =)
Mas como vivemos no presente, e não no passado, não vejo muito sentido de associar a ideologia "vamos restaurar a ditadura militar" do Bolsonaro com "extremo-direitismo".
É possível generalizar isso para todo o mundo.
Sim, é. Mas o nosso problema é local, daí a ênfase.
Mas é fácil entender o apelo dele: uma boa parte da atenção dada a ele vem porque ele canaliza a nostalgia dos Velhos Tempos (lembre-se, para muita gente o período da Ditadura Militar de fato foi uma boa época - ou pareceu ser) e usa um discurso de valores que são caros a diversas pessoas (Ordem, Disciplina, Família) além de ele não ter papas na língua de defender isso - algo difícil de ser ver nessa época em que o discurso policamente correto atingiu tamanha insanidade que beira a Novilíngua Orwelliana (exemplo-mor: a promulgada e logo depois cancelada "Politicamente Correto & Direitos Humanos"). As duas primeiras características atraem conservadores brasileiros tradicionais (mas não fundamentalistas religiosos) e especialmente a última, atrai também aqueles de inclinação liberal (seja liberal tradicional seja liberal social).
Tenho que concordar que o apelo é forte. Num país em que você tem medo de sair de casa em certos horários, fica difícil resistir a acreditar que era bom na época em que todo vagabundo se borrava de medo da polícia e que você não tinha medo de andar nas ruas sozinho e tarde (desde que tivesse como se identificar como cidadão de bem caso aparecesse a polícia). E os discursos sobre "antigas virtudes" (leia-se falso - ou quase falso - moralismo) ainda capta muita gente simplesmente porque muita gente ainda é assim.
Entretanto, eu não entendi bem porque a ultima atrairia tanto assim alguns liberais. Sei lá. Por mais interessante que seja o discurso, é totalmente contraditório ser liberal e apoiar um cara que apoia a ditadura militar, pelo menos para mim parece muito contraditório.