Pois para mim, decorar as fichas de monstros seria como iniciar um jogo novo de qualquer plataforma e olhar num detonado o guia completo dos inimigos e chefes. Destrói toda a graça da descoberta e improviso na hora de reagir a uma situação de combate que você simplesmente não esperava.
Mas é aquele negócio: a forma certa de jogar é a que você se diverte. Nas minhas mesas funciona bem essa política de não ler as fichas de monstros.
Eu, particularmente, acho o maior quebra-clima quando, no combate eu ponho "aquele" monstro para pegar de surpresa dos jogadores e um espertinho entende quem é e diz:
"Ah! É o monstro "x". Ele é vulnerável a "isso" e "àquilo", resistente a "esse" elemento e sua estratégia principal é fazer "esse" tipo de ataque visando "essa" vantagem estratégica".
E eu não vejo como essa ideia dele atrapalha o improviso. Pelo contrário, ele faz o certo.
Tudo bem o cara não acreditar que a essência do RPG está no improviso, mas dizer que isso não atrapalha o improviso? Veja: suponha que um personagem nunca viu uma criatura esquisita como um cubo gelatinoso. Como ele reagiria? Iria ter que improvisar e arriscar. Até descobrir uma forma efetiva de lidar com o bicho e entender a estratégia de ataque dele para se defender. Se o jogador do dito cujo personagem já sabe a ficha do cubo gelatinoso, o meta jogo será irresistível: o personagem não se verá "arriscando e improvisando" se verá com uma "puta sorte", pois, incrivelmente, todas as suas tentativas improvisadas acabam dando certo.