Não gostei do jeito seco e reto e repetitivo de O Velho e o Mar, embora eu sei que combine com a história. E a história é bonita. Mas sinto que tudo que leio, que venha dos americanos, me parece superestimado.
O Hemingway de
O Velho e o Mar é bem diferente do Hemingway de
Por quem os sinos dobram e
Adeus às Armas. Umberto Eco dizia que E.H. teria se tornado kitsch, escrevendo para senhoras de meia-idade (quer dizer, se não me engano ele disse isso...).
Li no fim do ano passado
Os Irmãos Karamázov. Um dos melhores livros que já li, perfeito tanto nas relações entre as personagens, sua caracterização e o desenvolvimento da trama. Claro que há alguns errinhos (como por vezes chamar Ivan de filho mais velho), mas nada que comprometa a leitura. Deu vontade de reler
Crime e Castigo, mas na nova tradução (a edição que tenho é capa dura da Editora Abril), até porque já faz uns oito anos que li o livro.
Um livro que li recentemente e recomendo é
O Mal no Pensamento Moderno, de Susan Neiman. É um livro de filosofia de leitura bastante agradável, onde a autora analisa as diferentes formas com que a questão do Mal foi tratada no pensamento de diversos filósofos, indo do terremoto de Lisboa e Leibniz (se não me engano o primeiro filósofo tratado é esse) até a filosofia pós-Auschwitz, detendo-se principalmente em Arendt nessa época. Ela passa também por Hume, Voltaire, Rousseau, Sade, Hegel, Nietzsche, entre outros. Enfim, é uma leitura bastante proveitosa.
"Não, não são plantas, apenas fingem sê-lo. Mas nem por isso vocês devem menosprezá-las. Pois é precisamente a circunstância de elas pretenderem sê-lo e darem o melhor de si nesse sentido o que as torna merecedoras de todo o nosso apreço."
Jonathan Leverkühn, em Doutor Fausto, de Thomas Mann.