A Batalha de Mìr
Capítulo II – Espaço
por Elara & Dahak
Não havia outro primeiro recurso para Manfred que não tocar no assunto das fortes alianças que Zaría tinha na manga. Talvez pudesse refrescar a memória de Aka, impor-lhe certo respeito. Mas aquela “carta-resposta” evidenciava tudo, a partir daquele instante os povos de Mìr estariam novamente em guerra.
O lúgubre cheiro de sangue e a fumaça de aço virando espada eram cartas comuns nessas terras. Mìr não era a Pangéia de seu tempo, mas abrigava em si parte da especialidade de outros povos, aqueles a alguns mares de distância.
Uma lenda, rogada pelos mais antigos elfos, diz que Mìr fora formada após um grande cataclismo que rasgou as terras dos mais distintos e distantes reinos conhecidos. Os mares e as tempestades completaram a catástrofe, arrastando esses voluptuosos fragmentos para águas muito instáveis. Teria sido o fim para todos aqueles desafortunados, porém, magos onipotentes de algumas dessas terras uniram-se em magia e puderam interceder na questão, fundindo aqueles outrora fragmentos – ao menos os que foram possíveis salvar – em uma terra vasta e respeitável.
Não se sabe se a lenda é ou não verdadeira, mas há registros de atividade vulcânica, de esforço conjunto para redefinição do curso de um rio e a presença de uma miscigenação sem igual. Humanos, Elfos, Trolls e muitas outras raças compunham a cena.
O acentuado contraste, inclusive, era tido como razão para tantas guerras. Não se ouvia muito sobre guerras entre dois reinos da mesma raça, normalmente ocorriam entre raças distintas, com maior incidência para aquelas com sangue guerreiro.
Eleadna, o reino setentrião de Mìr, era composto fundamentalmente por humanos, com uma pequena parcela de Orcs que foram anexados em guerras antiqüíssimas. Em sua natureza mais primordial estava o instinto guerreiro e conquistador.
Por outro lado, Manfred se via regendo um povo sem tradição ativa em guerras. Seu povo, apesar de fundamentalmente humano, não possuía homens de batalha nativos, apenas um punhado de cabeças que participaram dos bastidores de um ou outro exército, mas como enfermeiros, agricultores, cozinheiros e estrategistas.
Zaría formou uma série de alianças militares através da vocação de seu povo, através do empréstimo de sua mão de obra qualificada. Em troca, ganhou a cobertura de uma série de outros reinos.
Um único rio atravessa e da vida a Mìr, sua nascente é no extremo sul, enquanto falece as margens das montanhas que cercam Eleadna. Dessa forma, Manfred supunha que as pretensões de Aka podem ser referentes a posição estratégica de seu reino, que é o primeiro da região norte.
Sendo uma região pacífica, era um importante ponto de encontro para comerciantes, representantes de outros reinos e cultural. Possuía uma agricultura farta e uma tradição exímia de criação de animais, tudo utilizando os melhores recursos tecnológicos, que é outro traço de Zaría, ser um centro de ciência.
Manfred precisava proteger seu reino e faria de tudo ao seu alcance para tal. Chamou alguns desenhistas para reproduzirem no papel a resposta que lhe foi enviada. Com o desenho em mãos, enviaria para seus aliados.
Aka não perde por esperar...