Óglaigh na hÉireann

Mostre seus textos, troque idéias e opiniões sobre contos.

Moderadores: Léderon, Moderadores

Óglaigh na hÉireann

Mensagempor Dahak em 31 Jan 2008, 01:19

Pooooxa, será que viajei tanto no meu comentário que o Lobo nem deu bola?
HAUiaohuIahUioahuHAUOIaHOuiA


Dahak Out
Life. Live.
Avatar do usuário
Dahak
 
Mensagens: 1655
Registrado em: 20 Ago 2007, 22:32
Localização: São Paulo

Óglaigh na hÉireann

Mensagempor Lobo_Branco em 31 Jan 2008, 16:35

É q eu num entendi muito bem ñ...foi uma critica ou um elogio :b ?..hahaha
"— Nós também éramos crianças, e se eles nos deixaram órfãos, os deixamos sem filhos."(

Óglaigh na hÉireann)


O Último Duelo - conto Capa&Espada
Avatar do usuário
Lobo_Branco
 
Mensagens: 289
Registrado em: 26 Ago 2007, 13:22
Localização: Aquele Bosque com ares de Floresta, na periferia de Contonópolis

Óglaigh na hÉireann

Mensagempor Dahak em 01 Fev 2008, 00:14

Então, foi os dois!
LOL!

Deixa eu tentar explicar ^^"
Você assistiu algum filme do Martin?
Tipo O Aviador?

Dahak Out
Life. Live.
Avatar do usuário
Dahak
 
Mensagens: 1655
Registrado em: 20 Ago 2007, 22:32
Localização: São Paulo

Óglaigh na hÉireann

Mensagempor Lobo_Branco em 01 Fev 2008, 11:37

Não...se assistir num lembro...tô esclerosado, sabe..rs
"— Nós também éramos crianças, e se eles nos deixaram órfãos, os deixamos sem filhos."(

Óglaigh na hÉireann)


O Último Duelo - conto Capa&Espada
Avatar do usuário
Lobo_Branco
 
Mensagens: 289
Registrado em: 26 Ago 2007, 13:22
Localização: Aquele Bosque com ares de Floresta, na periferia de Contonópolis

Óglaigh na hÉireann

Mensagempor Dahak em 03 Fev 2008, 22:42

Hey, voltei pra tentar esclarecer um pouco melhor meus dizeres:P

Sua narração, sua forma de escrever tem um tom "épico". Um tom de grandiosidade, como se o narrador fosse um velho sábio que conhece todas as histórias, que as narra de forma sólida. Não é só nesse conto, é um traço seu.

Isso possui muitos pontos positivos. Um discurso épico é inspirador, é atrativo, é cativante.
É um ponto indispensável para um grande líder, por exemplo.
Quer ver outro usuário que tem essa mesma característica quando escreve? O Volcano.

Fiz a comparação com os filmes do referido autor justamente porque essa também é a forma que ele faz seus filmes. Ele passa uma visão ostentosa, por mais que ele esteja falando de bananas, a sensação é que as bananas que ele se refere são únicas, são especiais. Quase como se não fossem apenas bananas.

Era um recurso muito presente em César, em Alexandre, em Hitler...
Justamente por parecer formidável.

E você tem esses pontos positivos na sua narração. Você sabe convencer, sabe colocar os acontecimentos de forma "pomposa". E isso é muito, muito bom. Entretanto, há momento que não creio que colocar todo esse "arrojo", essa magia seja necessário.

Fatos simples, vez ou outra, podem ser narrados de forma simples, sem parecer maior do que de fato foi. Achar essa dose é complicado, principalmente porque há momentos em que a simplicidade não cabe, não tem vez, como também há momentos em que a grandiosidade não é a solução.

O Martin Scorsese faz filmes ótimos, super conceituados pelos críticos mais ferrenhos. E, a exemplo de O Aviador, quase todos tem esse ar pomposo. Era considerado um injustiçado pelo Oscar, porque nunca havia recebido uma estatueta como melhor diretor até ano passado quando, surpreendentemente, em um de seus filmes mais despretensiosos (que agora não me lembro o nome), ele faturou o Oscar.

O que quero dizer com toda essa bíblia? :b :blink:
Que você tem um dom legal pra contar histórias. E que você sabe emplacar essa sensação de grandeza. Mas que não é sempre que a grandeza é a melhor/única opção ^^"

Abraço!

Dahak Out
Life. Live.
Avatar do usuário
Dahak
 
Mensagens: 1655
Registrado em: 20 Ago 2007, 22:32
Localização: São Paulo

Óglaigh na hÉireann

Mensagempor Lobo_Branco em 10 Fev 2008, 00:53

Entendo, mas eu mostrei grandeza em "Ultimo Duelo" ou em "Paixão Nacional"?! Escrevi eles com tanta certeza q tava mais simplezinhos? :b
"— Nós também éramos crianças, e se eles nos deixaram órfãos, os deixamos sem filhos."(

Óglaigh na hÉireann)


O Último Duelo - conto Capa&Espada
Avatar do usuário
Lobo_Branco
 
Mensagens: 289
Registrado em: 26 Ago 2007, 13:22
Localização: Aquele Bosque com ares de Floresta, na periferia de Contonópolis

Óglaigh na hÉireann

Mensagempor Lobo_Branco em 10 Fev 2008, 01:00

Bem, acabou carnaval, ano começando, monitor concertado, td indicando um re-inicio das coisas. Aqui está mais uma parte de Óglaigh, que teoricamente já era p/ ter terminado. Devo tá retornando com Busca e com um fic tbm q logo devo postar.

Abraços e boa leitura!

------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

18/06/1979, Belfast – Ulster

Sean subia vagarosamente as escadas do velho prédio com ares de abandonado. Sua subida o levou até o topo do mesmo, onde tinha um homem com capuz e uma AK- 47 nas mãos, enquanto outros dois conversavam sentados no parapeito, jogando cartas.

Sean aproximou deles, ficando há uma distância de oito passos, olhando os dois homens entretidos no carteado. Um era alto e forte, cabelos negros, curtos, estilo militar e barba farta. Tinha um olhar selvagem e mãos marcadas.

O outro parecia ter seus 50 anos, cabelos grisalhos, presos em um rabo de cavalo, uma barba rala por fazer, lábios finos e nariz pontudo.

Eles se mantiveram jogando, ignorando a presença do jovem ruivo.

- Sabe, eu tenho mais o que fazer do que vê-los jogando cartas. - grunhiu o garoto - Ao menos podiam me convidar a jogar com vocês.

Ambos encararam-no, primeiramente carrancudos, depois sorriram levemente.

- Aproxime-se garoto. - disse o velho com rabo-de-cavalo.

Sean aproximou-se, com as mãos na jaqueta que usava. Encarava os homens nos olhos, apesar de demonstrar respeito, não se via a menor menção de medo nele.

- Você é mais ousado do que seu tio nos disse. - sorriu o homem barbado. - E então meu caro, acredita que pode se unir ao “Exercito” apenas porque seu pai tinha uma relação com ele?

- Não, eu quero me unir porque é meu dever como irlandês. - respondeu com afinco e seriedade o ruivo.

Os homens sorriram, se entre-olhando.

- Não fazemos nada de bonito aqui, guri. Nem nada que lhe transformará em um herói.

- Não quero beleza maior que a liberdade, nem preciso ser um herói. - sorriu Sean. -Apenas quero poder fazer o que acredito ser o certo.

- E se para isso tiver que matar? - insistiu o velho.

Sean o encarou, deixando de sorrir.

- Acredito que não exitarei em fazê-lo. Há coisas maiores que a vida de homens.

Os homens sorriram, olhando para Sean.

- Bem que seu tio nos avisou que era um idealista. Sabe guri, espero que você agüente toda a bronca que está querendo. De qualquer forma seja bem vindo qualquer coisa seu tio te manterá a par de suas novas obrigações.

- Bem vindo ao Exercito Republicano Irlandês. - sorriu o velho com um tom um pouco brincalhão.

Sean sorrira, emocionado. Demorou um bom tempo para sair daquele lugar, considerando-se agora um ser à parte daquela sociedade corrupta e podre que vivera por todo esse tempo.

Os dois homens voltaram a jogar seu carteado.

- Você acredita que seja correto aceitá-lo assim? - disse o velho.

- Bem, ele é responsabilidade de Ronald. E pelo sim ou pelo não devemos isso ao pai dele. Ter o filho de Gerald entre nós agradará muitos peixes grandes. - sorriu o outro.

- Porém, agora teremos problemas com Angus, e possivelmente com alguns políticos do Sinn Féin. - retrucou o velho.

O outro homem apenas deu de ombros, voltando ao seu jogo de carteado.
Editado pela última vez por Lobo_Branco em 10 Fev 2008, 14:33, em um total de 1 vez.
"— Nós também éramos crianças, e se eles nos deixaram órfãos, os deixamos sem filhos."(

Óglaigh na hÉireann)


O Último Duelo - conto Capa&Espada
Avatar do usuário
Lobo_Branco
 
Mensagens: 289
Registrado em: 26 Ago 2007, 13:22
Localização: Aquele Bosque com ares de Floresta, na periferia de Contonópolis

Óglaigh na hÉireann

Mensagempor Lady Draconnasti em 10 Fev 2008, 01:40

- Acredito que não exitarei em fazê-lo. A coisas maiores que a vida de homens.


Não seria:

"- Acredito que não exitarei em fazê-lo. coisas maiores que a vida de homens." ?
Imagem

Status: Cursed
Alinhamento do mês: Caótica e Neutra
Avatar do usuário
Lady Draconnasti
 
Mensagens: 3753
Registrado em: 25 Ago 2007, 10:41
Localização: Hellcife, 10º Círculo do Inferno

Óglaigh na hÉireann

Mensagempor Lobo_Branco em 10 Fev 2008, 14:33

Si-si...corrigido :ops:
"— Nós também éramos crianças, e se eles nos deixaram órfãos, os deixamos sem filhos."(

Óglaigh na hÉireann)


O Último Duelo - conto Capa&Espada
Avatar do usuário
Lobo_Branco
 
Mensagens: 289
Registrado em: 26 Ago 2007, 13:22
Localização: Aquele Bosque com ares de Floresta, na periferia de Contonópolis

Óglaigh na hÉireann

Mensagempor Lobo_Branco em 12 Fev 2008, 03:13

06/04/1980, Belfast - Ulster

Apesar dos avisos de todos, a jovem loira atravessava o extenso pátio do colégio. Suas amigas, aflitas, a viam caminhar em direção do rapaz solitário, sentado sob uma bela macieira.

Sentado, encostado ao troco da árvore, de olhos fechados, aproveitando o calor do sol de fim de tarde, que insidia diretamente sobre o local. Olhos fechados, cabeça levemente inclinada para cima, a barba rala por fazer, longos cabelos ruivos presos em um belo rabo de cavalo. Em sua mão tinha um cigarro já pela metade, e a outra timbuliava uma canção típica de pub.

A moça parou frente a ele, barrando os parcos raios solares que batia contra seu rosto. Seus belos olhos verdes, queimando em fúria.

Sean abriu um dos olhos, encarando a jovem que lhe olhava ameaçadoramente. Bufou a fumaça do cigarro, revelando estar impaciente.

- Poderia sair da frente do sol, estou tentando aproveitar esse fim de tarde. - disse o jovem, misturando o inglês com gaélico.

A moça o encarou, com os punhos cerrados ao lado do corpo. Encarava Sean, como seu lhe quisesse voar ao pescoço.

- Fale direito garoto! - berrou a jovem.

Sean a olhou melhor - era uma falso-magra, alta, sardenta, apesar de muito bonita, não deixava de ser estranha. Deu mais uma tragada, jogando a fumaça para cima.

- O que você quer garota? - disse, falando seu inglês peculiar, com um forte sotaque.

- Quero saber o que diabos você tem na cabeça, seu irlandesinho de merda! - gritou a jovem, fazendo algumas pessoas próximas voltarem suas atenções ao casal.

Sean a olhou sério, nunca a tinha visto antes, acreditava que ela era a novata que tinha aparecido e alguns idiotas falavam tanto. Não sabia por que a moça estava com tanta raiva dele, não tinha um por que.

- Qual seu problema? - perguntou calmamente Sean, coçando o ouvido.

- Meu problema?! Meu problema?! - disse a jovem batendo pé - O problema de todos nessa escola, pelo o que eu pude perceber, é você vermelhão! - seu tom continuava crescente, alguns jovens formandos se aproximavam para saber mais ao certo o porque daquilo tudo.

Sean endireitou o corpo, ficando em uma posição que lembrava a de lótus, apoiando o cotovelo na perna e a cabeça na mão, segurando o cigarro entre os dedos, olhando as pessoas se aproximando.

- Bem, há um ditado referente a vocês, “os incomodados que se mudem”. - bufou o ruivo, com um desanimo marcante no rosto – Agora, se você quer apenas chamar a atenção, se promovendo dentro dessa merda, escolheu a pessoa errada, por isso, porque não dá meia volta, volta p/ suas amiguinhas que não tiram os olhos daqui e vão tagarelar sobre quem fode vocês mais gostoso.

A loira parecia que ia explodir, não se segurando mais, ia chutar Sean, ofendida com o último comentário, porém um grito conhecido a fez olhar para trás. Juntamente com mais três garotos, aproximava-se um gordinho de cabelos castanhos. Ele tinha os olhos e os lábios inchados, fazendo sua voz sair uma tanto falha.

- Jane, o que diabos está fazendo aqui? - disse ele com esforço, encarando Sean, com um tanto de medo.

A loira apenas o olhou, ainda possessa. Voltou a olhar para Sean, o vendo levantar prontamente, jogando o cigarro no chão.

- Estou apenas discutindo desavenças de opinião que eu e o ruivo temos, não é mesmo? - disse ainda enraivecida a loira.

Sean sorriu cinicamente, voltando o olhar ao gordinho e sua gangue.

- Na verdade, você esta apenas gritando asneiras como sua gente gosta de fazer. - disse indiferente o ruivo. - Mas agora que você já disse toda a merda que tinha a dizer, porque não se junta a sua amiguinha ai e sua trupe de guardinhas e vão discutir a melhor forma de dar a bunda?

Jane mais uma vez fez menção de partir para cima de Sean, porém, o gordinho a segurou, impedindo dos seus punhos de chocarem com o rosto do ruivo.

- Isso não vai ficar assim O’Falloein, eu te juro que não fica! - gritou o garoto, afastando com a loira e os três outros pseudo-seguranças.

Sean manteve-se em pé, observando-os se afastarem, falando dele com certeza, assim como todo mundo que estava no pátio.

O sino bateu fortemente, fazendo todos aos poucos entrarem no grande e sumptuoso prédio principal. Sean lembrou que a matéria do último horário seria inglês, voltando a sentar-se sobre a sombra falhada da macieira, pegando seu último cigarro e voltando a fumar tranqüilamente.

Depois de alguns minutos, quando o sol já não brilhava tanto no céu, apenas o deixando vermelho, uma jovem morena de longos cabelos castanhos, presos em uma única trança aproximava de Sean.

- O que foi tudo isso primo? - disse ela num gaélico pobre.

- Tudo isso o que Danna? - sussurrou Sean, despreocupado.

- Tão dizendo que você quase briga com uma novata de sua sala e com mais quatro rapazes.

- Há isso, não foi nada Danna, relaxe. - disse com indiferença Sean.

- Você sabe que não pode brigar, além de errado você pode ser expulso! - disse maternalmente a jovem de 13 anos, sentando-se ao lado do primo.

- Bem, ai todos nos ficamos felizes, eu voltaria a morar com o vovô, você e sua família se livrariam do rebelde que vos fala. - disse Sean, dando de ombros.

- Isso não é verdade Seanny! - protestou a jovem. - Não quero que você vá embora!

- Apenas você Danna, apenas você. - sorriu Sean, ao fazer cafuné na prima.

- Não, eu quis dizer todos nos. - disse Danna, enrubescendo.

Sean sorriu, vendo a prima se encolher tímida ao seu olhar. Apagou o cigarro, guardando logo em seguida.

- Vamos pequena, não quero que você perca aula por minha causa.

Sean levantou-se, ajudando a prima. Logo ambos estavam atravessando o pátio, conversando sobre o que a mãe de Danna prepararia para jantar, depois de ter adquirido o magnífico livro de receitas italianas.

- Hei Danna, você disse que aquela loira maluca é da minha sala? - disse Sean, meio surpreso, vendo a jovem concordar com a cabeça.

- Esse será um longo e maldito ano. - reclamou o jovem pesadamente.
"— Nós também éramos crianças, e se eles nos deixaram órfãos, os deixamos sem filhos."(

Óglaigh na hÉireann)


O Último Duelo - conto Capa&Espada
Avatar do usuário
Lobo_Branco
 
Mensagens: 289
Registrado em: 26 Ago 2007, 13:22
Localização: Aquele Bosque com ares de Floresta, na periferia de Contonópolis

Óglaigh na hÉireann

Mensagempor Lobo_Branco em 29 Fev 2008, 11:50

Voltando mais uma vez a ativa... :ops:

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

16/12/1979, Belfast – Ulster

- Cara, eu não sei por que você é tão revoltado. - disse o negro de olhos mel, porém avermelhados, a voz rouca por causa do fumo, passando o cachimbo ao ruivo. - Você tem tudo, Sean, tudo.

Sean sorriu, pegando o cachimbo, o levando até a boca, dando uma longa tragada.

Ambos estavam sentados sobre um banco numa praça próxima a casa que Sean morava. A noite fria e a alta madrugada tinham levado todas as pessoas de bem para casa, a parca se encontrava numa penumbra densa, já que as lâmpadas dos postes tinham sido quebradas noites antes. Iluminados por uma pálida lua, os dois jovens fumavam, tentando desestressar da semana de provas que antecedia o feriado de natal.

- É serio, eu até poderia entender seu lado “garoto-problema”, porque, sinceramente, todas as riquinhas que você comeu no colégio foram por causa dele. - continuou o jovem negro - Mas, cara, não vejo porque você é um maldito racista.

Sean o olhou sem entender, com um sorriso besta no rosto, que ia alargando mais e mais, passando o cachimbo ao amigo.

- Eu não me vejo como racista Charles. - disse o risonho Sean, de olhos vermelhos e voz rouca, com seu sotaque gaélico mais forte que o de costume.

- Bem, acho que os malditos encapuzados americanos também não se viam assim não é? - ironizou o negro, preparando-se mais uma vez para dar sua longa tragada. - ‘Tá quase acabando, tem mais?

Sean tateou os bolsos, encontrando mais um saquinho com um pouco a mais de erva.

- Bem, essa é a ultima até o ano que vem. - sorriu tristemente.

- Caralho, até o ano que vem? - espantou o amigo.

Sean concordou com a cabeça, guardando o saco no bolso novamente. Passou a mão pela cabeça, soltando os cabelos, que lhe caíram pelo rosto, tocando levemente seu ombro.

- Sim, não irei me encontrar mais com os “patrões”. Meu avô chega daqui quatro dias, apesar dele ser um “hippie”, não acho que ele gostaria de me ver fumando erva.

- Nem tento arranjar, na minha área só tem coisa de terceira, e se meu velho descobre ele me chuta daqui até a África na base da ponta-pés! - brincou o jovem, passando o cachimbo para Sean mais uma vez.

O ruivo deu uma ultima tragada, deslizando pelo banco, olhando a lua.

- Bela noite não? Bem que agente podia ir à casa de sua namoradinha. _ riu alto, colocando a mão na boca logo em seguida.

Charles ficou atento, olhando para os lados, sorrindo.

- Você ta doido, o pai dela teria um troço. Pensaria no mínimo que sou um demônio de outro mundo que veio buscar sua filha. Caralho Seanny, o filho-da-puta nunca tinha visto um negro na vida!

Sean riu, levantando-se, se espreguiçando.

- Não o condene Charles, eu também nunca tinha visto um.

Charles sorriu, levantando também, caminhando até uma árvore próxima.

- Mas você é um maldito caipira estrangeiro! - disse, enquanto mijava nas raízes da árvore.

- Disse o alvo irlandês - riu o ruivo, jogando as cinzas do cachimbo fora. - Vamos, daqui a pouco o guarda está passando por aqui.

Ambos saíram, a passos curtos, fechados dentro de seus casacos, com as mãos no bolso, vagando sem rumo pela praça escura.

- Você decorou mesmo o tempo de ronda do guarda, einh?

- Não é muito difícil, agora posso andar pelo bairro todo sem me bater com nenhum soldadinho idiota com perguntas idiotas. Assim faço minhas coisas, sem ser ou incomodar o tio Angus, e melhor, sem meu avô ficar sabendo.

Charles olhou Sean, ambos andando no escuro, com o caminho já decorado.

- Seu avô sabe de todas as suas “obrigações”? - indagou, ainda com um sorriso no rosto.

- Claro que sabe, aquele velho sabe de tudo. - riu Sean - Porém ele nunca me disse nada diretamente.

- Você não acha que isso o mágoa, Sean?

Sean deu de ombros, olhando para as estrelas.

- Bem, eu sigo o mesmo caminho que dois dos seus três filhos, não deve ser nenhuma surpresa para ele.

Eles pararam em uma fonte, onde Charles aproveitou para beber da água gelada, observando o amigo ainda olhando a lua.

- Bem, dessa forma imagino que você saiba o que seu pai acharia disso tudo, mas e sua mãe Seanny?

Sean parou como se tivesse visto um fantasma, ficou pálido repentinamente. Seus olhos, agora sem vida, encararam o amigo, fazendo este perceber que tinha falado de mais.
O ruivo sentou-se na fonte, prendendo o cabelo mais uma vez.

- Eu não sei. - sussurrou quase inaudivelmente. - Um dia, quem sabe, ela me diga.

Charles ficou observando o amigo, e a dor que ele sentia sempre que falava dos pais. Sentia-se péssimo por fazer uma das poucas pessoas na cidade que o tratava bem, apesar de Sean não tratar quase ninguém bem, se sentir mal.

- Hei Seanny, e a tatuagem, como anda?

Sean olhou o amigo, vendo que esse também se sentia mal por ter dito mais do que a boca.

- Cara, ta ficando boa. – disse agora desanimado. - Espero que vovô não diga nada, por que eu já ouvi o suficiente de tio Angus. - sorriu forçosamente.

- Deixa-me ver ai. - pediu o negro.

Sean suspirou, tirando a jaqueta e a camisa que tinha por baixou, mostrando as costas, agora bem mais fortes que antes ao amigo.

Traçado em suas costas tinha uma espécie de “La Pieta”, uma Maria segurando Jesus, porém a manta da virgem lembrava as cores da bandeira irlandesa, e a própria bandeira estava sobre Jesus. Atrás deles com se servindo de apoio, tinha uma bela cruz-celta. A tatuagem tinha poucas cores e estava pálida, porém, já demonstrava grande beleza, tomando de ombro a ombro do jovem.

- 'Tá muito massa Seanny. Porém acho que no futuro não vai ter a mesma beleza que tem agora, vai ficar esticada e estranha.

Sean deu de ombros recolocando a camisa.

- Quando isso acontecer eu penso em algo. - sorriu, pegando o cachimbo e a erva mais uma vez - Bem, vamos nos animar mais né?

Charles sorriu. Ia ajudar Sean, quando viu algo estranho no bolso da jaqueta de Sean.

Enfiou a mão no bolso do amigo, com a cara seria puxando de dentro do mesmo o revolver que Sean carregava consigo, o “Smith & Wesson®” que ganhara há anos do tio.

- Que desgraça é essa Sean? - gritou irado Charles.

Sean tomou a arma da mão do amigo a enfiando no bolso de novo.

- Não saio sem ela, ainda mais de noite. - disse serio, encarando Charles.

- Velho, são atitudes assim que resultam em merda! - protestou o negro.

- A falta dela que seria uma desgraça, e se o descascador ou marrons aparecessem por aqui, einh Charles? - indagou o jovem ruivo.

Charles abriu a boca, mas nada falou. Cerrou os punhos e voltou a se sentar na fonte, encarando o amigo.

- Termina logo essa merda Vermelhão. - exigiu Charles, que voltou a observar o amigo preparando o cachimbo.

- Seanny, você já matou alguém? - perguntou meio tímido, enquanto esperava Sean dar o primeiro trago.

Sean tragou longamente, passando o cachimbo ao amigo. Apoiou as mãos na fonte, inclinando o corpo para trás, à vontade de sorrir aumentava em seu rosto, e sua cabeça ficava mais leve, assim como o chão em seus pés menos substancial.

Suspirou, olhando o amigo, que estava terminando de tragar, já pronto para devolver o cachimbo.

Sean levou mais uma vez o cachimbo a boca, porém não tragou, fechou os olhos e por um breve momento sentiu o mundo parar de girar. Respirou fundo.

- Sim, duas pessoas. - sua voz saiu pesada e pausada. Levou o cachimbo a boca, dando uma longa tragada.
"— Nós também éramos crianças, e se eles nos deixaram órfãos, os deixamos sem filhos."(

Óglaigh na hÉireann)


O Último Duelo - conto Capa&Espada
Avatar do usuário
Lobo_Branco
 
Mensagens: 289
Registrado em: 26 Ago 2007, 13:22
Localização: Aquele Bosque com ares de Floresta, na periferia de Contonópolis

Óglaigh na hÉireann

Mensagempor Gehenna em 01 Mar 2008, 00:05

- Sim, duas pessoas.

Po, adoro esses personagens melancólicos afundados em culpa. XD

Bom ver o fdp mais querido do fórum de volta à ativa.
Avatar do usuário
Gehenna
 
Mensagens: 828
Registrado em: 25 Ago 2007, 01:52
Localização: Torre Sombria, no bairro de Noite Eterna, em Contonópolis

Óglaigh na hÉireann

Mensagempor Lobo_Branco em 01 Mar 2008, 12:55

Talvez não seja tanta culpa assim, meu querido, não se esqueça que ele estava sobre efeito de entorpecentes... :roll:
"— Nós também éramos crianças, e se eles nos deixaram órfãos, os deixamos sem filhos."(

Óglaigh na hÉireann)


O Último Duelo - conto Capa&Espada
Avatar do usuário
Lobo_Branco
 
Mensagens: 289
Registrado em: 26 Ago 2007, 13:22
Localização: Aquele Bosque com ares de Floresta, na periferia de Contonópolis

Óglaigh na hÉireann

Mensagempor Lady Draconnasti em 01 Mar 2008, 14:15

Você mexeu nessa parte, Lobo? Não lembrava dela assim.
Imagem

Status: Cursed
Alinhamento do mês: Caótica e Neutra
Avatar do usuário
Lady Draconnasti
 
Mensagens: 3753
Registrado em: 25 Ago 2007, 10:41
Localização: Hellcife, 10º Círculo do Inferno

Óglaigh na hÉireann

Mensagempor Lobo_Branco em 01 Mar 2008, 19:16

Não, não mexi...oq achou diferente, Senhora minha?
"— Nós também éramos crianças, e se eles nos deixaram órfãos, os deixamos sem filhos."(

Óglaigh na hÉireann)


O Último Duelo - conto Capa&Espada
Avatar do usuário
Lobo_Branco
 
Mensagens: 289
Registrado em: 26 Ago 2007, 13:22
Localização: Aquele Bosque com ares de Floresta, na periferia de Contonópolis

AnteriorPróximo

Voltar para Contos

Quem está online

Usuários navegando neste fórum: Nenhum usuário registrado e 3 visitantes

cron