por Tiago Lima em 02 Jun 2008, 11:55
Gostei do tópico e ele me incentivou a me registrar e particiar dessa discussão do Fórum.
O Deicides deu excelentes sugestões para auxiliar os jogadores à criarem personagens com substância,que sejam. Suas idéias ajudam bastante.
Mas o Spark tocou num ponto importante: e quando os jogadores não tem o menor interesse em usar de todas essas boas idéias para o seu personagem? O que fazer quando os jogadores não acham importante ter uma história, montar uma personalidade ou mesmo dar pequenos maneirismos ao seu personagem?
Bem, nesse caso, acho que o mestre deve responder à altura. Pra mim, personagens e cenário funcionam juntos, um respondendo às ações do outro.
Imaginem a seguinte cena: Você (jogador ou mestre) vai para um encontrode RPG qualquer e, na mesa de jogo, puxa assunto com alguém do seu lado antes do jogo começar apenas para descontrair e conhecer melhor a pessoa que irá jogar com você. Daí voce perguna sobre futebol e o cara diz não ter time nenhum. Até aí tudo bem. Você fala que quase se atrasou para o evento porque um trágico acidente de trãnsito que matou duas pessoas congestionou o trânsito. O cara reage à isso perguntando se houve muito sangue e se alguém perdeu algum braço ou perna no acidente. Voce tenta desviar o assunto para temas mais amenos e diz que seu irmão veio junto com você e que é legal ter alguém da família apoiando seu hobby. Ele virá e diz que não tem contato nenhum com a família há vários anos, mas que nem por isso sente falta dela, e que está atrás do maldito que matou seu irmão e, para se vingar, vai matar o irmão dele. Nesse momento eu começaria a me levantar da mesa bem devagar, dando uma desculpa de ter que ir até o banheiro e não voltaria mais até ali.
Se para nós, uma pessoa assim daria a impressão de estarmos de frente com um psicopata ou, no mínimo, um cara bem desequilibrado, porque no seu mundo de jogo seria diferente? Porque os diversos NPCs do cenário de jogo não reagiriam dessa forma diante do personagem do jogador que não tem passado, não tem personalidade e só se preocupa em matar inimigos e saquear seu tesouro?
Talvez esse empurrãozinho do mestre, fazendo o cenário reagir aos personagens, incentive-os a melhorar seus personagens.
Numa campanha medieval, um personagem assim até poderia não ser preso, mas ser visto com grande desconfiança por qualquer vilarejo pelo qual passasse. Numa campanha moderna, ele correria o risco de ser internado por possuir algum distúrbio mental.
A questão é: se os jogadores tratam seus personagens como vedadeiros psicóticos, não lhe dando história, não lhe dando uma personalidade plaúsivel, não tendo sentimentos como todas as outras pessoas, porque o mestre deveriam trata-los como se os tivesse?