por Zack_Sun em 20 Fev 2008, 20:09
Desculpa o post duplo galera, mas me senti na urgência de postar algo ara aqueles que estão começando na árdua, porém gratificante, carreira de mestre.
Sedento por formas de narrar, esqueci do básico, da simples e óbvia maneira já traduzida e competentemente testada, ou seja, nossa língua portuguesa. Não é dando uma de Pascoale não, mas às vezes pegar aquele velho livro de português pode nos ajudar a enriquecer nossa narrativa.
Oras mas o que diabos é narrativa?
Basicamente narrar é contar uma história, e para tanto teremos personagens, cenários, conflitos, cenas. É também necessário que haja também um contador de estória e uma estória, para que haja a narrativa.
Simples não? O contador da estória é o narrador.
E a estória é composta por (Trate a estória como aventura/campanha):
a) Uma seqüência de fatos (enredo da aventura/campanha)
b) Personagens (Os jogadores que vivenciam os fatos)
c) O lugar onde os fatos ocorrem (espaço ou cenário de campanha)
O enredo é a seqüência de fatos da estória.
Acompanhe essa narrativa em 3ª pessoa:
“Um camponês caminha à noite por uma estrada escura, seus olhos estão atentos ao menor movimento, seus ouvidos ao menor ruído, ele está a muitos quilômetros de sua casa e só conseguirá chegar até ela caminhando”. A qualquer momento ele poderá ser assaltado. Na rua não há mais ninguém. Caminha sozinho, tendo por testemunha a luz da Lua e das estrelas.
Ele tem que chegar a sua casa, lá o espera seus filhos e sua esposa. Todos já devem estar preocupados com sua demora. Súbito, ele escuta barulho de passos, seu coração descompassa. Começa a caminhar mais rápido. O barulho dos passos aumenta. São passadas rápidas que parecem quase correr..."
Nesse pequeno enredo, temos todos os ingredientes citados acima:
Seqüência de fatos: (Uma personagem que precisa chegar a sua casa)
Personagem: (Um camponês solitário e outro responsável pelo barulho dos passos)
Cenário: (Uma estrada escura sem movimento, que leva à casa do homem).
Narrador: (que conta a estória)
Mas não é só isso, a narrativa tem outros elementos como:
O foco da narrativa: Toda estória é narrada em primeira ou em terceira pessoa. O Foco da narrativa é determinado pelo contador da estória, ou seja, o narrador.
Quando o narrador faz parte integrante da estória, quando ele é uma personagem da mesma, a narrativa está sendo feita em primeira pessoa.
Ex.: "Eu estou caminhando à noite por uma estrada escura, meus olhos estão atentos ao menor movimento, meus ouvidos ao menor ruído, eu estou a muitos quilômetros de minha casa e só conseguirei chegar até lá caminhando...”.
Esse pequeno trecho foi reescrito do exemplo anterior em primeira pessoa. Nessa estória, o narrador é o personagem caminhando solitário pela rua escura, portanto a narrativa aqui está focada em primeira pessoa.
Foco da narrativa:
Primeira pessoa - Quando o narrador faz parte da estória, ele é uma das personagens.
Terceira pessoa - Quando o narrador não participa, ele somente conta a estória.
Narrador onisciente - É o narrador que penetra no mundo interior das personagens. Veja o exemplo do texto do primeiro exemplo: "Súbito, ele escuta barulho de passos, seu coração descompassa." Como o narrador poderia saber sobre o coração da personagem? Pois bem, se ele (narrador) estando 'fora' da estória consegue saber os sentimentos da personagem, então podemos considerá-lo como um Narrador Onisciente.
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Certo agora para a segunda parte:
A descrição:
Usando a enciclopédia:
Descrição Caracteriza-se por ser um “retrato verbal” de pessoas, objetos, animais, sentimentos, cenas ou ambientes. Entretanto, uma descrição não se resume à enumeração pura e simples. O essencial é saber captar o traço distintivo, particular, o que diferencia aquele elemento descrito de todos os demais de sua espécie.
Elementos básicos de uma descrição:
-Nomear / identificar - dar existência ao elemento (diferenças e semelhanças)
-Localizar / situar - determinar o lugar que o elemento ocupa no tempo e no espaço
-Qualificar - testemunho do observador sobre os seres do mundo
Entre esses três, qualificar é o mais importante por qualificar o elemento descrito é dar-lhe características, apresentar um julgamento sobre ele. Muitas vezes utilizando-se de metáforas. Há dois tipos de descrição:
-objetiva - quando o objeto, ser, etc. são narrado-apresentadas como realmente são fisicamente/na realidade.
"Era 2x maior que um homem normal, tinha pele verde e áspera. Seus olhos eram de cor da terra e seus dentes protuberantes. Um típico meio-orco, só que mais inteligente."
-subjetiva - quando há a interferência da emoção, ou seja, quando o objeto/ser/etc., são transfigurados pela emoção do autor.
"Seu tamanho era o dobro do que se esperava de um homem comum, tinha pele verde e áspera o que fazia lembrar um lagarto ressequido pelo sol. Seus olhos eram de cor da terra penetrantes e profundos e seus dentes protuberantes como de uma fera indomada. Um típico meio-orco, mas de um intelecto deveras superior."
O ideal é que uma descrição possa fundir a objetividade, necessária para a “pintura” ser a mais verídica possível, e a subjetividade que torna a narração bem mais interessante e agradável. Sendo assim, a descrição deve ir além do simples “retrato”, deve apresentar também uma interpretação do autor a respeito daquilo que descreve.
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Viu como conhecer bem a nossa língua pode nos ajudar nas narrativas? Não precisa ser experiente pra seguir essas regras, é só usar um pouco de imaginação. Também não é preciso ter boa oratória, basta escrever num papel e ler nas horas certas. Com o tempo você cria seu estilo. Mas nunca esqueça-se do básico.
Espero ter ajudado.
Zack Sun, Paladino do Sol.
(Reinaldo Dias - Adaptado do livro Língua e Literatura - aa. Carlos Faraco e Francisco Moura - editora Ática)
"Não posso mostrar meu rosto. Não, eu não sou feio!"