Olha, entendo todos os pontos de vocês e concordo... exceto por um pequeno detalhe do que ele postou
porém sem se tornar chato ou injogável.
A resposta óbvia é: não dá, não tem nada a oferecer, sem graça...
Essa é a resposta padrão, o default. Aquela gritantemente óbvia quando olhamos as coisas a partir do que já vimos, jogamos e etc. Tipo, se pensarmos na mesma estrutura de jogo e estilo dos outros jogos, se aplicadas nesse conceito medieval... booooring.
As chances de isso funcionar de primeira são poucas, mas aposto que alguma forma de funcionar existe(até porque ele se focou só nesse aspecto, ser interessante de jogar, e não que estilo de jogo). Então algum estilo e modo de jogar ser interessante nesse contexto? Acho bem possível sim. Aventuras com um grupo errante caçando confusão? com certeza não.
Tipo, existem rpgs que tocam nessa tangente em algum ponto. Aquele que(se não me engano era da white wolf) medieval se preocupava em emular passagens longas de tempo, entre cada 'aventura' se passavam anos e os jogadores interpretavam lordes. Seria como os encontros de d&d, mas entre cada encontro passa um bom tempo e são roladas consequências e outras coisas(teve filhos ou não, suas terras foram atingidas pela peste ou não)... Eu nunca li ou joguei, só estou falando por resenhas e opniões de terceiros. Mas tinha um nicho de fãs e só vi elogios. E tinha combates e quests e tudo o mais.
"Sem o fantástico perde a graça"
Será? Impossível? O último filme do robin hood por exemplo. Coração de Cavaleiro sem os detalhes modernos(e sem david bowie)...
Ter algum elemento fantástico com certeza ajuda, como bruxas serem reais e tal, mas mesmo sem ele a dinâmica pode funcionar.
Aliás, eu diria que muita coisa pode funcionar como 'medieval mesmo' e inventar encima disso. Adicionar elementos fantásticos brandos ou mudanças estéticas, coisas que fariam um setting original mas que não mudariam a estrutura medieval e como esse mundo funcionava já funcionariam para mim como 'medieval mesmo'. Não sei se isso se encaixa com o Silva falou.
Sinceramente, eu adoro o feeling medieval e as partes menos aproveitadas dele em jogos de fantasia, gosto de jogos realistas tanto quanto dos absurdos e do pessoal feio de desdentado... mas detestaria um jogo puramente medieval. Gosto pessoal. Eu adoro fantasia e principalmente a surreal, realidade demais eu tenho ao meu redor. Mas um jogo realista e simulacionista com um baita 'what if' interessante já é ficção o suficiente para me interessar.
Simulacionismo... de quê exatamente?
Tem quem goste de simulação histórica, não é minha praia mas tem todo um nicho. Larpers que simulam medievalismo na europa existem aos montes(e falo de eventos sem nada fantasioso, só armas e roupas da época, etc), a série eletrônica mount & blade é um exemplo de algo divertido e próximo demais de realismo...
Sem falar que tem uma parte mal contada nessa história:
que tipo de simulacionismo? Simular combate, que vértebra é quebrada é um tipo. Não o único. E dá para misturar bem as coisas.Eu sou de uma filosofia que até opostos se misturam, e bem, se bem colocados. Vejo geral pensar simulacionismo=combate simulado. Generalização bem crua não?
Até a mortalidade medieval não implica no mesmo nível de mortalidade como jogo... A intenção é simular ingame a idade média né? Fora da ficção narrada e compartilhada, qualquer mecânica e dinâmica de jogo pode ser usada.
Porque afinal, contanto que as consequências na trama e desfecho das rolagens simulem como essas coisas aconteceriam e seriam aceitáveis na ficção(no caso realismo medieval), o resto está livre. Gente viajou pelo mundo e escreveu sobre suas viagens, cruzados foram para o oriente, lutaram várias batalhas e voltaram na nossa idade média real. Uns tinham sorte outros nenhuma. Misture a isso
a péssima tendência vitoriana de exagerar as partes ruins da idade média, que herdamos e chega a ser criticada por historiadores... as coisas não eram tão terríveis assim.
Então, porque o jogo definir 'vocês são esses caras de sorte' estaria errado?. Isso tornaria in-game o jogo menos medieval?
Tirar a mortalidade barata(que é oposta a jogabilidade) de doenças e etc não destrói o simulacionismo: pessoas sobreviveram às pestes, guerras, e tudo o mais. Seu personagem automaticamente ser um dos sortudos não destrói a simulação do jogo. Simular até isso não se torna uma necessidade que todo rpg 'medieval mesmo' tenha de ter, isso seria definir um estilo de jogo(no caso, um com alta mortalidade).
Roleplaying é um campo muito vasto e com muitas variações, estou vendo apenas visões limitadas aqui.
O cara falou num exercício de imaginação... não vi ninguém tentar isso. Só vi gente pegar o tipo de jogo que gostam, pensar no contexto medieval(mesmo) e constatarem o óbvio: que não dá. Claro que não dá. Mas e outro estilo??
Só brincando consigo pensar num jogo bem simples e puramente medieval: cruzados. Coloque combates em amplo escopo(ou seja, sem simular cada golpe e se a vértebra do cara é quebrada) onde habilidade influencia pouco e decisões precavidas afetam muito(ex: evitar qualquer combate em desvantagem numérica), sem stats e apenas com vantagens como 'forte'(afinal, esse meu jogo não é sobre simular combates, é sobre simular a jornada de cruzados)...
Deixa eu ver... dividimos o jogo em encontros relevantes e o espaço entre eles ser a jornada(que pode levar pouco ou muito tempo), rola-se consequências e eventos dessas jornadas(ex: encontros aleatórios, chances de surgir uma complicação como "Um dos membros adoeçou") e.. voi-lá. Sobreviver em terras hostis, saber que lutas lutar e quais evitar seria o componente 'combate' do jogo. Quem se aliar, quem confiar, conflitos religosos, políticos e morais já ofereciam recheio, trama e riscos o suficiente para o jogo... é, dá para ser bem rules light.
E 'medieval mesmo'. Simulacionismo depende do que é simulado. Rolemaster, fatal e etc são exemplos de jogos que tentaram simular ao máximo combates e física(e ao meu ver todos falharam, em simular e como jogos). Não vi esse tipo de simulacionismo como proposta no tópico.
E mais outra que me ocorreu, ainda mais simples:
Destino. Todos têm esses pontos de destino, que podem ser gastos para as mais diversas coisas... e também sobreviver. Existem aos montes, mas são limitados e difíceis de ganhar mais. Mas esse jogo é cheio de situações e rolagens capciosas, cada nova cidade são novas chances de ficar doente, pisar no calo de um lorde e viajar entre elas não ajuda muito... Felizmente vocês têm sua sorte, que podem te salvar do destino implacável ou corrigir suas más escolhas.
O grande porém: você tem suas metas pessoais, e uma que todos têm: subir na vida. Num mundo onde subir na escada social é raridade, adivinhe o que será preciso para suceder? Os malditos pontos de destino...
Sem falar que existe um atalho como na vida real... não ser bonzinho, traição, jogar a culpa nos outros e crimes funcionam tanto quanto no nosso mundo. Não seja pêgo e você chega lá... só tome cuidado com seus pecados, acumule muitos e você vai para o inferno.
objetivo do jogo: específico da campanha+realizar suas metas e garantir um final feliz(purgatório). Porque na idade média tem tantos pecados que ninguém consegue o céu. Paranóia com humor mais negro, sem lasers mas com manguais... 'i'l go all medieval in thou ass!'