[Região] Tervat

Projeto coletivo de criação de um cenário oriental para o sistema d20, bem como criação e alteração de regras para o mesmo.

Moderadores: Madrüga, Youkai X, Léderon, Moderadores

[Região] Tervat

Mensagempor Madrüga em 02 Mar 2010, 00:17

Amicos, aqui está o texto original de Tervat, que ficou por muito tempo intacto e, por fim, quando parecia que o Kaishakunin ia ter tempo de trabalhar na região, passou a ficar esquecido nos confins do meu computador.

Agora, sinto vontade de trabalhar nisso, ainda mais pela ligação que isso tem com algumas regiões mais próximas (que estão sendo desenvolvidas por outrem).

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Tervat, a jóia do ocidente, é uma cidade esplendorosa, localizada estrategicamente na maior baía do continente. É possível enxergar de longe suas frondosas muralhas e, por mar, seu enorme e movimentado porto; potência militar e comercial da região, Tervat é o centro de um império que, recentemente, ameaça afundar a si mesmo: após todas as campanhas e vitórias e conquistas, o império se vê impedido por todo tipo de barreiras, tanto físicas quanto políticas; de um lado, a intransponível floresta de Avkhass, cuja frondosa vegetação e rebelde população impedem qualquer tipo de expansão; ao sudeste, a férrea determinação dos cinocéfalos de Tebshad Daguna, belicosos e resistentes, detém as ambições de Tervat; do outro lado, civilizações bárbaras e a liga de povos do norte ameaçam qualquer desejo de se voltar ao extremo ocidente.

Religião

A religião dominante do reino de Tervat é monoteísta. Acredita-se na existência de um deus único, chamado de Uno pelos praticantes. O dogma da igreja do Uno prega que ele, no início da existência, ao querer purgar-se de tudo que obscurecia seu julgamento, expeliu de si o bem e o mal (tomados como entidades opostas, e não o mal como a falta de bem); ambas entidades puseram-se em imediata oposição. O Uno, alcançado seu estado supremo de neutridade, postou-se no topo de tudo, e diz-se que ele costuma interceder somente quando um dos lados opostos começa a tornar-se superior. Ele favorece o equilíbrio acima de tudo.

Tendo criado o mundo e a raça humana, o Uno serviu-se de potestades, seres humanos cuja força de vontade e pujança os fez dignos de elevar-se a uma categoria divina. Muitos aspectos da existência são regidos por esses potestades, que são considerados os intermediários entre a raça humana e o Uno. Cada ser humano é nominalmente abençoado e protegido por um potestade, embora todos os seres humanos devam adorar ao Uno acima de tudo. As igrejas são dedicadas ao Uno, embora possam ter um potestade como seu patrono.

O culto, contudo, não é absoluto em todo o território: alguns ramos da igreja do Uno existem, e não são considerados parte do cânone oficial; tais cismas serão mais bem explicados adiante. Uma minoria segue os preceitos desses cismas, mas procuram ocultar suas atividades dos olhos da igreja do Uno, pois tais atividades são consideradas heréticas, e condenáveis ante um tribunal, organizado tanto pelo império quanto pela igreja.

Cultos heréticos

A religião do Uno é bastante diversa; contudo, seu dogma central é descrito no Livro dos Prodígios, os escritos mais sagrados de Tervat, e não estar de acordo com tais dogmas é contrariar a igreja e, por conseguinte, o próprio Uno e seus potestades. Alguns dissidentes, liderados por figuras carismáticas da igreja do Uno, formaram seus próprios dogmas a partir daqueles da igreja central. Estes cultos marginais proliferam por toda Tervat, mas alguns são encontrados e dizimados pelos soldados militantes da igreja do Uno. Seguem-se os quatro cultos mais populares entre os reinos que formam Tervat:

A Ordem da Sagrada Unidade prega que, em verdade, os potestades não existem. O Uno jamais teria encarregado seres humanos, suas crias imperfeitas, de realizar tarefas com relação a todo o mundo. Os potestades seriam uma raça divina, mas associada à proteção e gerência do mundo e dos seres humanos. Toda criatura, em efeito, seria devotada ao Uno, mas seu coração seria levado a qualquer um dos dois lados (bem e mal, expelidos pelo Uno em sua busca pela perfeição), e essa seria a única e verdadeira batalha de cada ser vivo: caminhar pelo meio, tentar buscar o Uno em cada uma de suas ações, ponderando a todo o tempo sobre o bem e o mal.

A Irmandade da Sagrada Completude prega que, em efeito, o Uno jamais poderia se despojar do bem e do mal, pois não são partes que se pode desgarrar de si, mas o conflito eterno que todos, mesmo o mais divino, devem enfrentar. O Uno seria exemplo de sabedoria e santidade ao encerrar dentro de si tais pólos e buscar o equilíbrio. Estes heréticos crêem nos potestades, mas, similar à Ordem da Sagrada Unidade, não crêem que eles sejam humanos, pois o ser humano não pode alcançar a divindade. Antes, os potestades seriam divos filhos do Uno, uma raça à parte.

A Congregação das Prístinas Irmãs de Myerleeva prega talvez o dogma mais caçado pelos soldados militantes da igreja do Uno: o Uno, para elas, seria uma mulher, uma deusa, a Una. A Una seria mãe e criadora de toda a existência e, antes dos homens e animais, teria criado a mulher. A mulher original, então, teria dado à luz o homem, parte dela e dela dependente. Os potestades seriam todos espíritos femininos de grandes mulheres que habitaram os tempos míticos, ao mesmo tempo guardiães e mães de toda a humanidade. Além das implicações heréticas, esse culto é procurado pela óbvia associação a uma tentativa de emancipação feminina na sociedade conservadora e patriarcal de Tervat.

O Culto do Eterno Retorno pouco difere do dogma oficial da Igreja do Uno, exceto no que se refere ao destino das almas mortas. A igreja do Uno crê que todos aqueles que morrem ascendem ao plano do Uno, para passar a eternidade em contemplação de um mundo imaculado e pacífico, e que apenas os seres humanos têm alma. Os demais seres inteligentes nada mais são que imperfeições sem alma, criações caóticas da metade maligna do Uno. O Culto do Eterno Retorno, contudo, prega que todos têm almas, incluindo animais, plantas e outras monstruosidades; a única diferença é o grau de evolução que é preciso para se chegar ao paraíso. A cada vez que uma alma morre e abandona seu corpo terrestre, ela retorna à existência em outro corpo, dependendo do que aprendeu em vida. Se aprendeu pouco ou nada, ela volta como um animal ou humanóide monstruoso, mesmo como plantas e pedras (a forma mais básica de alma). Só depois de muitas vidas como humano é que se pode ascender aos céus.

Os potestades

O número oito é sagrado para a igreja do Uno; associam-se muitas coisas a esse número, mas principalmente os oito potestades do cânone oficial. A estrela de oito pontas é o símbolo oficial da divindade dos oito potestades, mas há uma diferenciação: devotos podem apenas se utilizar da estrela simples, enquanto verdadeiros membros da igreja, como clérigos e guerreiros sagrados, recebem o direito de ostentar a estrela mais complexa.

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A estrela simples representa a fé e o poder da crença do indivíduo, regido pelos oito potestades. Já a estrela mais complexa é reservada apenas aos devotos membros da igreja do Uno, e tem uma simbologia bastante intrincada, com significações individuais para triângulos e linhas; apenas os membros iniciados podem dizer exatamente de que se trata. Em linhas gerais, a parte negra representa o Uno, que a tudo e a todos envolve; a parte interna, vermelho-vivo, representa os oito potestades. Cada triângulo que deriva de cada gomo do círculo interno representa os poderes terrenos de cada potestade, seu domínio sobre o mundo. Os triângulos maiores representam o rebanho do Uno, todos aqueles criados por Ele e que vivem para adorá-lo. Ensinam-se mais coisas relacionadas a essa simbologia (por exemplo, que existe um vício e uma virtude associadas a cada um dos triângulos principais), mas esse assunto está reservado aos iniciados.

A questão da magia arcana

Os clérigos do Uno crêem que poderes sobre-humanos advêm da fé do indivíduo. Somente através de uma forte crença nos poderes superiores alguém poderia realizar feitos acima do homem comum. Contudo, aqueles que claramente ostentam poderes sobrenaturais sem adorar ao Uno ou a seus potestades arriscam suas peles no reino de Tervat; mesmo os magos mais poderosos costumam esconder suas atividades ou mascará-las sob uma aura de adoração: a Ordem

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O documento termina exatamente ali. A idéia era criar uma sociedade que (infelizmente) tem uns paralelos com a idade média, Roma e Bizâncio.

Com relação à questão da fé vs magia: pessoas que manifestam magia espontaneamente (warlocks, feiticeiros, favored souls) poderiam ser vistos como prodígios do Uno... ou como enviados das profundezas, da metade maligna. Estudiosos da magia seriam malvistos, só que poderiam disfarçar fingindo muita fé. Isso é um problema social complexo.

Afinal, poder-se-ia argumentar que há estudiosos de magia nos círculos mais internos da hierarquia do culto ao Uno. Ao caçar ferrenhamente todos os praticantes de magia de suas fronteiras (inclusive queimando livros que tratem do assunto -- afinal, se a magia é uma dádiva dos deuses, não se pode escrevê-la), o reino de Tervat acaba atrasando os desenvolvimentos que o continente poderia ter com isso.

Isso vai de encontro àquela coisa de "trem mágico" de cenários mais high-magic. Afinal, se a magia é uma ferramenta tão poderosa, uma organização religiosa/governamental não vai simplesmente deixar que ela se torne um bem comum e beneficie a comunidade: é melhor segurar com pulso firme, deixar o povo viver na idade das trevas e manter os segredos contidos dentro da organização.

Assim, mesmo caçando magos, é bem possível que existam magos nos altos escalões do culto ao Uno. Com o tempo, podemos especular que um não-usuário de magia chegue ao maior posto da hierarquia (ou mesmo um monarca) e comece a caçar qualquer um que utilize a magia, QUALQUER magia. Enquanto isso não acontece, temos uma magocracia meio egoísta rolando por Tervat.
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[Região] Tervat

Mensagempor Emil em 02 Mar 2010, 13:01

Opa, sempre bom ver Tervat dando as caras oficialmente por aqui. E eu gostei muito, não lembrava, da caça aos magos e à magia. Dá pra rolar umas aventuras fodas, sem monstros, poucas lutas, mas muita tensão, segredos e politicagem.

Uma coisa que eu estive pensando, e pode dar trabalho: os poderes de clérigos, magos, guerreiros sagrados (quiça até lâminas sagradas) mudam de acordo com a religião, cisma ou dogma seguido, céihrto? Deve ser legal mexer nesse vespeiro mais pra frente.

E acho que, pela descrição, eu acabei colocando Chemkrëbyuch entre Daguna e Tervat... atrapalha muito?
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Mensagempor Madrüga em 02 Mar 2010, 13:05

A idéia não era JUSTAMENTE essa? Ser uma região de conflito por estar no meio de grandes poderes?

Quanto a mudar poderes... hum, pode ser interessante.
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Mensagempor Emil em 02 Mar 2010, 13:13

Oh sim, sim, a idéia continua sendo essa, eu só botei alguém no meio pra tomar porrada dos dois lados!
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