Megaman X7: Depois de ler muitas críticas destrutivas (uns chegando a dizer até que esse jogo só serviria para completar a sua coleção, caso você fosse fã da série) e até um certo "pré-conceito" da minha parte quanto a esse jogo na engine 3D, resolvi jogar essa droga de uma vez para ver como é que é.
Bom. Gostei. Passa longe de ser o melhor da série, mas não é tão ruim (talvez por isso eu tenha gostado, já que minha espectativa era baixíssima). Eles evitaram o classico erro da adaptação de um jogo 2D de plataforma para o 3D, ou seja, o de simplesmente jogar o personagem num cenário 3D enorme, deixá-lo ao leu e esperar que faça sucesso (por exemplo, Castlevania Curse of Darkness do PS2 peca um pouco nesse sentido).
Na verdade a engine 3D basicamente se porta como a do X8 (ou seja, ainda é um jogo de plataforma com gráficos 3D apenas, volte e meia mudando do plano xz para o yz ou um meio termo entre os dois, se você traçar um eixo carteziano xyz no espaço), só que em algumas poucas situações o jogador fica solto para explorar todas as 3 dimensões.
Além disso, o esquema de mira automática facilitou muito a jogabilidade (sem ela, seria impossível jogar esse jogo), o que tornou o Axl MUUUUUUITO mais útil que no X8.
Prós: - Nível de dificuldade rasoavelmente difícil;
- Chefes mais resistentes que o de costume da série tendem a tornar os combates mais longos e interessantes (visto que ele causa BEM mais dano em você do que você nele);
- O esquema de jogar em dupla (apesar de não ser novo na série) foi bem empregado, visto que, dessa vez, as fases são projetadas para "matar" dois reploids, não um (como no Xtreme 2, o que a presença do segundo personagem tornava o jogo bem mais fácil);
- O fato de que cada personagem tem sua utilidade específica dentro do jogo sendo, em certos momentos, você OBRIGADO a usar "aquele" personagem para passar de certas partes do jogo, dando uma ideia de trabalho em grupo", o que eu achei legal;
- Ter o X como um "personagem destravável" no jogo foi uma sacada interessante (apesar de ser deveras frustrante encontrar as cápsulas de armadura e não poder pegá-las, fora que a desculpa de "virar Shun de Andrômeda" foi meio difícil de engolir);
- O sistema de upgrade em "atributos básicos" foi legal. Gosto dessas coisas.
Contras:- Infelismentente, com a engine 3D, tivemos como efeito colateral a lentidão dos personagens, o que fez que o jogo deixasse um pouco de lado aquela velocidade e destruição alucinada que foi a marca registrada da série (especialmente os X4, X5 e X6), dando lugar ao envolvimento mais explorador e tático das fases (você teria que se esconder de inimigos e mirar com cautela nos mais perigosos para evitar que te vejam, e coisas assim);
- Isso torna o Zero muito menos útil que de costume, o que é bem frustrante. Gaste quantos pontos você puder em speed para ganhar mais combos para ter a possibilidade de pular NO MEIO de todos os inimigos e se sentir um jedi lutando com (e matando) todos de uma vez só;
- As músicas e efeitos sonoros não são nem um pouco empolgantes, chegando a ser frustrante a ausencia desses fatores em certos momentos (como o fato de o zero ser caladão e os itens não fazerem um barulho de confirmação quando você os pega). Isso tira um pouco do brilho do jogo;
- A dublagem (em inglês, pelo menos, não via a japonesa) é muito ruim. Destaque para o axl que é uma menininha empolgada;
- Depois de tanto jogo para conseguir destravar o X, pegar a Glide Armor e ver que ela não é tão util assim foi frustrante (o X-Buster não parece melhorar muito e aquele voo mixuruca que faz você ir descendo a altura enquanto vai seguindo em frente foi de lascar, seria melhor deixar ir reto e, quando acabasse, caísse).
Enfim, não é um jogo "perfeito/maravilhoso", é apenas um jogo divertido que não faz tão feio frente aos outros da série mas que, se tivesse um maior planejamento, poderia ter uma receptividade melhor entre os fãs. O jogo é jogável.