Outra Cena :P

Mostre seus textos, troque idéias e opiniões sobre contos.

Moderadores: Léderon, Moderadores

Outra Cena :P

Mensagempor Raposa em 24 Abr 2009, 17:37

Ola todos.
Eu nao gosto de me delongar em explicacoes, mas vamos a algumas informacoes relevantes para a compreensao do texto (e pra ninguem pensar "mestre ruim" de novo).

Doji Yukichi - PC Shugenja da Garça, colega de turma da Asahina Harumi e praticamente inexpresiva no presente texto.

Shosuro Hametsu - NPC brevemente mencionado no livro do Scorpion pela sua imunidade a venenos. O mestre ajeito a personalidade conforme era interessante para a nossa historia/mundo. Por causa da imunidade ele eh o responsavel pelo jardim (e adivinha de onde vem os venenos do Scorpion?)

Numusu Iki - Planta venenosa q tb esta em algum livro oficial (acho q no do Scropion), uma dessas maravilhas contra as quais nao tem nem teste, vc morre.

Asahina Harumi - Um PC cheio de plot >.o Ela era shugenja, ultima da sua linhagem (a tia e a irma mais velha foram personagens da mesma player, nenhuma delas teve filhos), depois de matar uns bons 6 yojimbos mandando eles fazerem coisas idiotas ou simplesmente nao entendendo nada a familia Asahina decidiu promove-la a bushi, ela ganhou a Doce Vinganca, a Katana da Asahina Hatsune (a tia, a primeira pers dela).

Shokan - PC q virou NPC. Ex-crab, quando ele tinha 6 anos ele acabou testemunhando o pai matar o proprio avó para se tornar governador, ele nao lembra disso mas o pai dele decidiu "promove-lo" a monge Sohei mesmo assim, so pra garantir. Ajudava a Asahina por motivos ate entao desconhecidos ate que ficou cego e quase morreu fazendo uma missao para ela.

Depois q os personagens conseguiram um documento lhe permitindo uma audiencia com o tal Shosuro Hametus eles foram admitidos no castelo e levados a uma sala para essa audiencia. A Asahina disse que queria a Numusu Iki branca, eles conversaram uns instantes... ela comentou q a tia dela (a tal Asahina Hatsune) havia tido um amigo Shosuro e q ela esperava oferecer sua amizade em troca da flor. Conversa vai, conversa vem, o Hametsu liga os pontinhos, saca q esse Shosuro do passado era um ninja e aparentemente decide proceder a queima de arkivos (minha suposicao, eu nao leio a mente do NPC).
Dai a cena foi a seguinte:


Asahina Harumi se levantou acompanhando Shosuro Hametsu até a porta daquela sala ampla e escura. O gosto do Scorpion para decoração refletia muito bem a imagem que todos tinham de tal clã. Doji Yukichi seguiu os demais a uma distância receosa, sabia dos perigos do lugar e Shosuro-sama havia sido muito claro quanto a quem seria admitida no jardim.
Asahina apertava as mangas do kimono com as mãos, precisava encontrar a Numusu Iki branca para devolver os olhos e a visão de Shokan, para que ele pudesse, talves, retomar o status de samurai que deveria ter desde o nascimento. Ela lembrou-se por um instante da última conversa que tiveram; havia prometido viver e dedicar-se a busca dessa cura. Por mais assustador que fosse caminhar pelo covil do inimigo essa memória lhe deu forças. Harumi respirou fundo enxendo a mente de coragem e os pulmões de um ar de sabor adocicado, começava a sentir os odores sutis que emanavam do gigantesco jardim do castelo Shosuro.
Hametsu seguia a Asahina lhe dando breves indicações, seus olhos sem alma poderiam também ser cegos e ele caminharia com a mesma segurança pelas varandas do lugar. Não foi sem motivo que ele se posicionou entre as duas Garças. Enquanto a primeira era guiada por seus sonhos a segunda parecia esperar por um pesadelo, ainda que ambas mantivessem a face e a postura que lhes havia sido ensinada.
Por fim, chegaram ao portal que garantia acesso ao amplo jardim.
-Muito bem criança – ele se dirigiu a Asahina sem demonstrar ou possir qualquer emoção – eis o meu jardim e o seu novo destino.
Asahina fitou o jardim que estava um nível a baixo da varanda por onde vieram, o jardim era tão grande quanto o do castelo Kakita e muito mais colorido. Flores e folhas de vários tipos tomavam o lugar, cresciam de maneira disciplinada mas tinham, de alguma forma, um aspecto mais livre, quase selvagem, se comparadas aos jardins harmoniosamente podados da Garça. Os jardins da Garça tinham também amplos passeios, para que as pessoas pudessem caminhar por eles juntas, enquanto conversavam. O Jardim Shosuro tinha um aspecto apertado, era cortado apenas por trilhas estreitas que vez ou outra uma das plantas invadia. Ainda assim, as cores vibravam, únicas.
Shosuro Hametsu se posicionou ao lado do portal, de frente para a varanda e com as mãos as costas, observava Asahina Harumi. Doji Yukichi apenas podia juntar-se a ele, pousou as maos delicadamente sobre a madeira escura do parapeito enquanto seus olhos estavam incertos de onde pousar.
Asahina Harumi desceu os degraus encontrando seu caminho entre as plantas. Não foram necessários mais que alguns passos para que ela congelasse diante do primeiro movimento que percebeu ali. Uma serpente vermelha e negra atravessava o caminho a sua frente. A vibora fitou-a uns instantes e reclamou de sua presença exibindo presas poderosas, antes de continuar seu caminho e desaparecer sob as plantas. Harumi olhou para trás por um breve instante, encontrou o Shusuro na sua pose fria, escondido sob sua máscara de pó e tinta, e encontrou a Doji de cabeça baixa, distante da situação que se apresentava ali.
Harumi voltou a atenção a trilha agora que a serpente havia passado, caminhou mais uns bons passos. Por um instante a imagem de um jovem monge dos Sete Trovoes lhe voltou a mente dizendo “cuidado, ele eh um homem muito perigoso”. Ela caminhou com a bravura que recém havia aprendido como bushi, enquanto a imagem de seu antigo sensei, o sábio Kakita Ryogo, lhe saltou na mente aconselhando prudência. Era um bom momento para essas memórias, elas não vinham sem motivo.
O sol já estava alto, o jardim se extendia por todo um pátio no centro do castelo, ela olhou em volta e por um instante lhe pareceu que o castelo existia para proteger o jardim.
Proteger... Essa palavra ressou em sua mente, não havia proteção se não paredes, varandas e sacadas, salas aparentemente vazias num ambiente silencioso, completamente contrastante com a última cidade Scorpion, barulhenta e cheia de música, em que esteve. Não haviam guardas. Por que?
Uma flor branca lhe chamou atenção! Era um botão recém aberto, meio escondido nas folhagens. Harumi estendeu os dedos no impulso e quase sorriu, tocou as folhagens buscando afasta-lás para alcançar a planta, mas no mesmo instante pode sentir as patas minúsculas sobre as costas da sua mão. Ela mais uma vez estava imovél enquanto um escorpião marrom escuro, bem pequeno, caminhava exibindo uma cauda grossa com um perigoso ferrão na ponta. Ela ergueu os olhos mirando a flor que não era a Numusu Iki. Mal teve tempo de pensar a respeito, as patas se movendo sobre sua pele lhe chamaram atenção novamente enquanto o escorpião voltava para as folhagens buscando a sombra das mesmas.
Asahina trouxe as mãos para junto do peito se afastando das plantas assim que o escorpião desceu de seu corpo. Sentia o coração palpitar acelerado e a figura de um shugenja Soji, oculto sob uma máscara branca, lhe veio a mente “cuidado com Shosuro Hametsu”. Em seguida um jovem num kimono completamente negro surgiu diante dela, era o Shosuro que a recebera nos portões desse mesmo castelo e alertara “cuidado”. Harumi daria um passo para trás, mas lembrou-se estar cercada por plantas, conteve-se e a visão se dissipou, nenhum dos dois estavam ali. Novamente ela olhou na direção de Hametsu, ele era um rapaz jovem que Yukichi havia dito não ter alma ou sentimentos. Harumi notou a grande distância que já havia percorrido. Decidiu-se. Faltavam poucos passos para chegar ao centro do jardim, do centro teria uma visão mais ampla e certamente encontraria a Numusu Iki, então correria de volta alegrar Shokan.
Ela voltou a caminhar embuída de uma determinação que nunca antes sentira, havia recebido muitos alertas mas apesar de todo o terror Shosuro Hametsu consentiu que ela entrasse no jardim para procurar sua flor até que facílmente...
Sentia muito calor, ali sob o sol, ter saido da sala escura onde conversaram por longos minutos diretamente para o sol do meio dia pode não lhe ter feito muito bem. Ter percorrido essa longa jornada, do extremo território da Garça até o castelo Shosuro, sem descanso suficiente também não.
Seus pés atingiram o ponto central do jardim, e seus olhos o percorreram ansiosos, parando em cada flor branca que cruzavam. Eram poucas as flores brancas, haviam algumas amarelas e algumas laranjas, muitas flores púrpuras, roxas e vermelhas. Ela chegou a notar até alguns cogumelos, feios e tortos, crescendo no tronco de um arbusto, nada digno de um jardim. Se perguntou se Hametsu não os havia notato ai ou... se estariam ai por algum outro motivo. Se distraiu desses pensamentos quando seus olhos encontraram a Numusu Iki, logo adiante em um dos corredores que partiam do centro do jardim, em uma posição de relativo destaque. Era exatamente a flor que a água lhe havia mostrado, porem vermelha e não branca. Ela se aproximou, a flor desabrochara já a algumas semanas, provavelmente. A primavera já chegava ao final, as pétalas superiores estavam rosadas, se desbotando pelo sol que se intensificava para o verão. Era uma flor tão linda, não era de surpreender que algo tão bonito pudesse curar, mas o Scorpion tem outra função para a beleza.
Asahina pouco se aproximou da planta, quando sua expiração chegou na flor esta reagiu soltando uma núvem de densos vapores. A bela paisagem se desfez diante dos olhos de Harumi, um cheiro forte e ardido tomou-lhe os sentidos, ela desejou erguer as maos para proteger o rosto mas os braços não obedeceram. Desejou afastar-se mas as pernas se recusaram a mover. Sentiu o equilibrio se perder e seu corpo foi ao chão, chocando-se contra as pedras. Doía, mas não muito.
Deitada no chão ela vislumbrou o solo que nutria aquelas plantas... tinha algo estranho...algo estranho ali a diante... pareciam uns dedos sujos... unhas sujas ... definitivamente... era um braço morto e porcamente ocultado que brotava da terra. Um calafrio lhe percorreu mas o corpo não respondeu nem mesmo com um sutil tremor. Ela queria fechar os olhos, desejava ver a face sorridente de Shokan, desejava de todo seu coração, desejava um último gosto das memórias preciosas que a haviam feito vir até aqui. Certamente tiraria forças dessas memórias. Mas seus olhos não fechavam.
Viu os pés e então o rosto de Hametsu, que se debruçava sobre ela. Ele retirou a Doce Vingança e a Wakizashi do obi da Asahina. Ali mesmo ele desmontou a katana, substituindo o guarda-mão da Garça pelo símbolo da família Shosuro e guardando as armas no próprio obi. Ela se deu conta de que nenhum eta entraria ali, e seu corpo seria escondido porcamente sob a terra e as folhagens daquele jardim.


Desculpem pelo giga post, realmente detesto fazer isso, mas como achei q o conto ficou "bonitinho" valia "eternizar" :P
Imagem
Este usuário esta permanentemente AWAY
Avatar do usuário
Raposa
 
Mensagens: 169
Registrado em: 17 Jan 2008, 16:28
Localização: Some dreamland

Voltar para Contos

Quem está online

Usuários navegando neste fórum: Nenhum usuário registrado e 1 visitante

cron