Fiquei pensando numas coisas. Talvez (e quase certamente) o excesso de racionalidade possa ter impedido que eu fruísse do texto como deveria, mas certas coisas acabam atrapalhando justamente pela inverossimilhança ou, para usar uma expressão melhor, porque sempre pensamos em alternativas (por mais estranhas que sejam) quando aparece uma suposta impossibilidade.
O tema da amada perdida porque se é imortal... sei lá. Cabe a vampiros, caberia a Proteu, a Vandal Savage... mas não a um deus. Muito do impacto da morte da amada se deve sempre ao fato de que o amante imortal não possui domínio sobre a morte, não sabe o que existe além e não pode fazer nada para impedir o passamento da amada ou mesmo para prolongar sua vida.
Entretanto... um deus sabe dessas coisas. Ele é imortal e muitas mitologias colocam a imortalidade em objetos, como pomos dourados, licor sagrado, ervas submarinas, etc, que eles consomem para manter seu status imortal. Um deus, se não tiver o "portfólio" da morte ou pós-vida, pode ter acesso ao mundo dos espíritos por conta de seu poder e pode interceder em favor de outro deus que puder ajudá-lo. Entre outras coisas.
O impacto está no mistério, na incerteza, na absoluta falta de soluções. Se o amante é simplesmente um vampiro, condenado a nunca morrer (e que não sabe exatamente o que está além da vida)... se o amante é Titono, amaldiçoado pelo pedido mal-formulado que Aurora fez a Zeus (pedindo que seu amado fosse imortal, mas esquecendo-se de pedir sua eterna juventude), condenado a viver para sempre na carcaça de um velho carcomido... se o amante é Orfeu, que consegue até vencer a morte, mas olha para trás e vê sua amada se transformar em eterna estátua... entende?
No mais, não gostei. Ainda mais porque o texto tenta sempre nos levar à falta de soluções, mas não pode parar a imaginação; ademais, é pouco complexo e pouco desenvolvido, embora a idéia inicial seja boa e impactante.
Editado: Necropost, ein, Dahak?