por Tiago Lima em 13 Jun 2008, 12:35
Infelizmente não consigo acompanhar esse tópico de perto. Ele cresceu cinco páginas em dois dias! Adoraria acompanhar e particiar mais das discussões. Mas tudo o que eu posso fazer com meu tempo é dar uma olhada rápida e comentar algumas coisas.
O tópico tomou um rumo sobre o sistema interferir na interpretação, daí citaram o alinhamento do D20 e o sistema de humanidade do “MdT”. Falaram sobre o sistema privilegiar este ou aquele tipo de interpretação, como o medo da morte ser uma bobagem em D20 e etc.
Gostaria de ter tempo e disposição para comentar e citar cada uma dessas passagens, mas não tenho. Perdoem-me por isso.
Para dar a minha colaboração na discussão e, consequente, meu ponto de vista, vou precisar voltar um pouco e retomar alguns conceitos. De início, vou falar o óbvio, porque às vezes voltar ao óbvio ajuda a elucidar e dar foco para as idéias.
Gun Hazard inicou um ponto que vale muito a pena ser retomado. O que é interpretar um personagem no RPG? Interpretar é abandonar suas referências pesoais e adotar a do seu personagem enquanto joga com ele. Referências essas que são pensamentos, atitudes, modos de agir, de sentir, assim como valores e gostos. É fazer de conta que não se é você mesmo e sim um outro alguém que vive num mundo imaginário.
Logo, para se interpretar um personagem é preciso saber quais referências são essas, que atitudes são essas, o que ele pensa, sente ou faz. Afinal, como interpretar alguém, asumindo um outro referencial que não seja o seu se esse referencial não existir?
Esse conjunto de características (moral, atitudes, crenças, valores, pensamentos, ações, etc) é a personalidade. Personalidade é tudo o que é individual e, portanto, diferente de pessoa para pessoa; é tudo aquilo que o caracteriza como alguém único. Características essas que se mantêm mais ou menos estáveis ao longo de sua vida.
Aqui cheguei no ponto onde queria.
A pesonalidade de cada um, inclusive dos personagens, deve ser única, própria e subjetiva.
Ora, como interpretar uma personalidade dessa maneira se ela estiver prevista em regras? Se está prevista em regras, por mais amplas que elas sejam, isso quer dizer que serão seguidas por todos. O que há de único e próprio nos personagens quando eles seguem regras gerais?
O erro está em considerar alinhamento do D20 como fazendo parte da personalidade do personagem, assim como o erro está em considerar as regras de humanidade do MdT como personalidade do personagem. E consequentemente, segui-las e dizer que está “interpretando”. Pois não está. O que é previsto em regra, se torna algo generalizado e objetivo, o oposto do que um personagem deve ser, único e subjetivo. Interpretar um personagem é muito mais do que seguir um simples alinhamento ou uma escala de humanidade.
A saída que eu encontrei e a que uso em meus persnagens é a de aumentar os significados, expandir as idéias que se tem sobre o personagem e que são apenas aranhadas pelos livros.
Por exemplo. No novo Players Handbook vem lá escrito sobre anões: Dwarf Characteristics: Acquisitive, brave, hardworking, loyal, organized, stern, stubborn, tenacious,vengeful.
Isso é perfeito! O livro não diz em momento algum como essas características irão influenciar o seu personagem, não diz como elas devem aparecer, nem com qual intensidade, se todos os anões as possuem ou não, se são todas elas ou apenas metade delas. O Livro não orienta em nada! Se desse orientação, seria regra, se fosse regra, seria geral e todos seriam muito iguais, se todos fossem iguais não haveria personalidade e nem a necessidade de uma interpretação, mas sim a necessidade de se seguir uma regra!
Pra mim regras devem estar longe da interpretação. São conceitos bem diferentes. A única previsão em regras que deve haver sobre interpretação num bom livro é: “crie uma personalidade para o seu personagem e a interprete.” E só.
Aumentar sgnificados é dar sentido e personalidade ao personagem dentro do mundo de jogo. Alguém perguntou à alguns posts atrás sobre qual o papel de um clérigo ou guerreiro fora do combate e a repostas foi, nenhum. Está errado. Só porque o livro não preve em regras o papel de uma classe isso não significa que ela não deva ter um. Que o próprio personagem não deva se questionar (enquanto uma personalidade) qual é o papel que ocupa, qual sua função, do porque faz o que faz. E que bom que isso não está previsto em regras ou que não possui uma “ferramenta de interpretação’ dentro do sistema. Se não seria apenas uma regra geral e objetiva, que todos seguiriam.
Me desculpem o post enorme e todas as minhas divagações (Acho que é por isso que prefiro escrever num blog do que em fóruns, tenho a tendência de escrever demais).