A Devir é a maior e mais conhecida empresa que traduz livros de RPG aqui no Brasil. Fato.
A Devir detém os direitos de publicação desses títulos. Fato.
A Devir NÃO quer abrir mão desses direitos, mesmo que não consiga cobrir os lançamentos mais básicos dos sistemas. Fato.
Pegando o Gurps, WoD, AD&D e D&D3.0 temos um cenário de mercado satisfatório, agora analisemos como o impacto do D&D 3.0 liquidou com 2 sistemas.
Um artigo publicado no blog "O Lote do Betão"
http://valberto.multiply.com/journal/item/131 mostra a opinião do autor de como a DB matou o Gurps no brasil:
Como a Dragão Brasil matou o GURPS no Brasil
Vamos voltar um pouco no tempo, na época que a Dragão Brasil era uma boa revista. Uns chamavam de fanzine de luxo e outros de revista, mas não faz mal. Naqueles bons tempos a revista era receada de matérias interessantes e nela reinavam absolutos alguns sistemas: D&D, AD&D, GURPS e STORYTELLER.
A relação com o GURPS era mesmo uma relação bacana. Não se faziam alusões às complicações de suas regras. Boa parte do material que saia para GURPS era legal: especialmente como robôs positrônicos, supers, ciborgues, monstros e mitos de chutulu, bioarmaduras, pterodracos... Havia até mesmo uma possibilidade de um GURPS nacional: A Espada da Galáxia, baseado num romance homônimo escrito pelo editor da revista na época.
Propagandas mil, anúncios, notas de produção, enfim, criou-se um verdadeiro frenesi pela espera do GURPS EdG. Sucessivos atrasos, alfinetadas e finalmente a notícia: o trabalho do editor não era bom o bastante para virar um GURPS de verdade. O GURPS EdG foi engavetado e anos mais tarde solto na rede na forma de um blocão de rascunho. No mês seguinte já dava para ver a mudança do foco da revista: “reinos subaquáticos? Vocês não tem mais o que inventar”, “Gurps warriors? Picaretagem”, “O Gurps é muito complicado para rolar um jogo de matrix”...
Então surgiu Defensores de Tóquio. ERA engraçado. Um sisteminha pra jogar numa tarde sem ter o quê fazer. Desprentecioso, apenas uma piada com o gênero. Deve ter vendido como água e ai a ganância começou.
Veio o Defesores de Tóquio 2 - A Esculhambação (subtitulo original). Dei uma olhada e não comprei. Pra quê comprar? Não trazia nada de novo e o legal do primeiro foi a idéia, apenas a idéia.
Ai realmente veio a esculhambação com eles querendo fazer desse folhetim um GURPS! Foi o cúmulo, mas era barato num mercado onde a realidade é o jogador mal ter dinheiro pra um lanche. Além disso, o monopólio da DB junto com uma nova leva de jogadores inexperientes fizeram o marketing. Foi nesta mesma época que começaram a rarear as matérias para GURS e que ele começou a ficar, de repente, muito complicado e cheio de regras.
Bem a história é essa. Como um produto mal acabado e um editor invejoso, munido de uma poderosa mídia deram cabo, ou quase, de um dos maiores e mais duradouros sistemas de RPG do mundo.
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O Gurps esteve cambaleando aqui no brasil desde antes da DB por causa da maior quantidade de suplementos que a devir trouxe para nós.
Pode-se dizer que para cada 4 suplementos que a devir trazia para o ad&d, 1 suplemento do gurps era colocado no mercado.
Quando o WoD chegou aí sim a coisa desandou de vez.
A febre agora era o WoD e seus zilhões de livros. Nesse ponto até o ad&d quase foi para o buraco, e nisso o gurps aqui já foi pra uti.
Quando o WoD começou a dar algum sinal de desgosto nos players a Wizards lança no mercado o D&D 3.0. Pronto, parecia que o mundo do Rpg agora se resumia a WoD e D&D(com milhões de suplementos também).
Na época que foi lançada a idéia de um d&d 3.5(até parece versão beta de software), a SJGames sabiamente jogou no mercado, numa boa tática à lá Wizards o seu novo Gurps, o Gurps 4ed, divido em 2 livros: Characters e Capaigns.
Resultado: Revigoração na competição dos maiores sistemas de RpG.
Hoje os livros básicos do Gurps estão muito mais genéricos, abrangentes, e para minha e de todos os outros jogadores de gurps, mais enxutos.
A qualidade das ilustrações subiu à um nível jamais visto no sistema. Agora o Gurps tem quase tudo tentar assumir o posto de "O" sistema.
Mas esse quadro não se aplica aqui no Brasil por causa da Devir.
Já faz 2 anos que sairam os livros básicos da 4ed. e por aqui NADA ainda.
Quem dirá quando sair os outros livros.
Por isso eu digo pessoal, o principal vilão da história toda aqui não foi apenas a DB com suas matérias fracas, seu autor pífio. Mas sim um conjunto de DB+Devir.
Hoje o gurps vem com um mini-cenário de campanha em seus livros básicos, e por sinal, um cenário bastante interessante, o que facilita e foca um pouco mais a visão do leitor enquanto "desgusta" seu novo Gurps basic Set.
O mesmo vai acontecer com o D&D 4.0, ele vai vir com um pequeno cenário nos livros básicos, o WoD, bem o WoD pelo que vi perdeu quase toda sua força.
Aqui no Brasil novamente teríamos uma briga boa entre Gurps e D&D, mas nós não teremos essa briga, pois a Devir se recusa a ceder da licença do Gurps para as outras empresas que ainda estariam interessadas.
Resultado: Teremos um D&D com publicações atrasadas e qualidade duvidosa, e teremos um Gurps ainda mais morto do que já está, um WoD praticamente inexistente, e quem dirá dos "outros sistemas".
Será que ainda pode piorar?