Crônicas de Contonópolis: A Guerra dos Sonhos

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Crônicas de Contonópolis: A Guerra dos Sonhos

Mensagempor Gehenna em 14 Fev 2009, 01:42

Queria ter postado minha parte hj, mas meu pc ficou o dia todo emburrando comigo. Vou ter que adiar pra domingo, que é o final do meu prazo. Porém, empaquei em determinado ponto de minha parte exatamente devido a esta questão sobre a finalização do coletivo.

Meu voto é que esta rodada se encerre com Lobo, e milady Draconasti poste a parte final, ou talvez um epílogo, após nosso colega lupino.
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Crônicas de Contonópolis: A Guerra dos Sonhos

Mensagempor Lady Draconnasti em 14 Fev 2009, 09:21

Alguém tem algo contra? Declare logo.
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Crônicas de Contonópolis: A Guerra dos Sonhos

Mensagempor Gehenna em 15 Fev 2009, 12:50

Crônicas de Contonópolis: A Guerra dos Sonhos
Parte 12
Por Gehenna

Deus Ex Machina


Aquele enorme quarto com chão e paredes rochosas estava coberto por sedas e almofadas, bebidas e perfumes das mais variadas origens. Dezenas de mulheres belíssimas, jovens e maduras, nuas e semi-nuas, se espalhavam servindo seu senhor, não apenas com vinhos licores, mas também com o lendário elixir da juventude eterna que Teodoro recebera de seu senhor, em troca dos serviços prestados.

O cavaleiro se deleitava com os prazeres conseguidos, quando foi interrompido pelo enorme negro vestindo mantos que entrara no aposento. A simples presença dele intimidava. Teodoro o odiava. Aquele brutamontes era um estúpido negro que vendera sua alma ao diabo. Invadir seu quarto era um ultraje, para o cavaleiro do Templo de Salomão. Ele controlava os espectros, mas Contonópolis já havia sido subjugada. Não entendia porque o Devorador mantinha aquele verme vivo.

“Aproveitando sua estadia, Teodoro?” Ceifador disse com sua voz de trovão, sob o capuz negro que jogava sombras sobre a face pintada como uma caveira.

“O que faz em meus aposentos, bruxo?!” Teodoro perguntou irritado, já apanhando sua espada.

“Estou apenas verificando se está ciente de que isto não vai durar”.

“Estás a me ameaçar, facínora?!”

“Você está mesmo do lado do Devorador, não é? Sua história é longa, com início, meio e fim. Você morre no final. Se agarrou na única esperança que tem. Vejo até que está se fartando de elixir, na esperança de que seu destino nunca se degrade, como o deus-lobo havia decidido para ti”.

“Estás a dizer que não está mesmo com o Inominável? Mas isso é ótimo! Estava mesmo atrás de um motivo para dar um fim a vida maldita de um infiel como tu! Sharia, ataque!”

De repente, uma mulher morena, de cabelos pretos e olhos escuros, que jazia nua ao lado de Teodoro, apenas prestando atenção à conversa, se transforma em uma enorme dragoa negra e voa na direção do Ceifador pronta para devorá-lo. Rápido como uma serpente, o enorme negro salta se esquivando do ataque e fazendo surgir em suas mãos uma foice, usando-a rapidamente contra o olho do monstro, enterrando a grande lâmina e atingindo-lhe o cérebro. Um único golpe e a dragoa estava morta.

“Não foi ao seu chefe que vendi minha alma, cavaleiro. Diferente de ti, minha história ainda não terminou. Só vim dizer que te admiro”. Disse Ceifador de pé sobre o cadáver draconico, antes de desaparecer no ar.

“Mas sua história tem um fim!” Disse ao surgir magicamente atrás de Teodoro, enfiando-lhe a foice no ventre e prendendo sua lâmina na fresta de dois blocos de pedra que compunham o chão. O cavaleiro gritou em agonia e xingamentos, ao se ver preso e com as tripas cada vez mais dilaceradas com seus próprios movimentos.

“Seria horrível tirar isto dela. Será um prazer te ver definhar e morrer novamente quando tudo isso terminar”. O Avatar dos Sete Pecados se dirigiu então para a saída, passando por inúmeras mulheres assustadas, sem desviar seu olhar para elas em um só momento.

“Maldito! Cuspirei em seu cadáver, seu satanista miserável! Ou melhor, sodomizarei sua meretriz, enquanto você estiver sendo consumido e obliterado pelo Inominável!”

“Apenas mande um recado, Teodoro”. Ceifador disse, retirando de baixo do manto um enorme revólver prateado com entalhes em dourado. Antes de falar, ele sorriu com satisfação. “Deus Ex Machina”.

----------------------------------------------------------------

“Não foi boa idéia abandonar Daniele, Sean e Chukro petrificados”. Gehenna disse, enquanto os contistas se acomodavam na taverna abandonada de Asriel, para descansar da jornada.

“Você se esqueceu de Aka e Le Petit”. Disse Dahak, com dificuldades, incapaz de se acostumar com a ausência de suas bolas.

“Que seja. Tínhamos de trazê-los de volta. Num ambiente anti-mágico e com nossos níveis de poder, eles eram nossa única proteção. Se formos pegos por qualquer tropa de espectros ou personagens comandados pelo Devorador, estamos perdidos”.

“Não ssseja tão pessssimista, chefe. Você ainda tem seu fanboyzismo lutador e eu meus instintos lupinos, então... hmm... é, estamos perdidos”.

“Estou sentindo algo estranho”.

“Sentido de perigo? Acha que nosssso persssseguidor essstá tramando algo?”

“Não. Mas é vontade de mijar. Raramente, em uma história, sente-se vontade de mijar, se não for ocorrer algo durante a mijada. Fiquem atentos. Se eu não voltar em cinco minutos... hã... bem, façam o que achar melhor”.

Gehenna sai da taverna e faz o que devia, mas assim que se vira para voltar para dentro, percebe um homem enorme saindo de trás da construção e se mostrando. Gehenna sabia quem era o perseguidor. Podia senti-lo. Era sua criação. Ceifador.

“Boa Noite, chefe”. Soou a voz de trovão.

“Pensei que estava chamando outro por esse título”.

“Pensou errado. Sabe disso”.

“O que quer? Não veio nos matar, senão já o teria feito”.

“Sabe que eu nunca mataria meu criador. Estou aqui para mais um Pacto”.

“Pelo que vi, personagens fora da alçada do Devorador foram petrificados. O Sete Pecados estão fora de seu alcance, Ceifador. E mesmo se estivessem, porque diabos acha que eu deixaria você se fortalecer agora que está contra mim?”

“Use sua cabeça, chefe. Sei que você pode, mesmo estando fraco e com baixos níveis de criatividade. O Pacto é com você. Uma pequena troca de favores”.

“Hã... Claro, eu sabia. Faça sua proposta”.

“Faça de mim o que eu devia ser. Você se baseou em um ‘gigante’ para me criar. Me permita seguir seus passos. Um homem forte, inteligente e bem treinado, vestido de preto e desaparecendo na escuridão da noite. Você sabe que eu devia ser mais do que tem me oferecido. O ‘gigante’ também já esteve em uma cadeira de rodas e se recuperou. Dê-me o que quero e eu te dou o que quer”.

“E o que eu quero?”

“A Mão de Deus, a única arma que pode ferir o Devorador”.

“Você a tem!”

“Eu a roubei. Se tivesse deixado com a ruivinha, provavelmente o Devorador a teria pego. Aceite minha proposta e terá seu Deus Ex Machina para esta história. Recuse e volte a procurar uma solução improvável, como um grande ritual ou um exército saído de lugar nenhum. Você sabe que suas opções contra aquele monstro não são muitas”. Gehenna olhou no fundo dos olhos avermelhados do Ceifador. Ele não podia mentir para seu criador. Apertaram as mãos.

“Feito”. O contista disse, enquanto pensava em sacanear sua criação dando-lhe também um parceiro mirim.

“Obviamente, ela não está comigo agora. Mas você a terá no momento apropriado. Sugiro que busque um lugar onde tenha alguma vantagem estratégica”. O Ceifador, então, desapareceu na escuridão. Gehenna se virou para entrar na taverna e, assim que abriu a porta, foi alvo de um montinho feito por Lobo Branco, Dahak e Malka.

“Pega!” – “Mata!” – “Esfola!”

“Saiam de cima de mim, seus filhos da mãe!”

“Passaram mais de cinco minutinhos. Resolvemos fazer um montinho”. Malka se explicou.

“Que idéia imbecil é essa?!”

“Pensssamos ser uma ameassça, chefe. Vosscê disssse para fazer-mos o que achásssemos melhor”.

“Da próxima vez, vamos criar uma senha de segurança”. Concluiu Dahak.

-----------------------------------------------------------

Ele não tinha mais um nome. Mal tinha uma forma. Era uma coisa razoavelmente humanóide, aparentemente feita de inúmeros retalhos das vítimas que consumira. E mesmo assim, esses retalhos ficavam se metamorfoseando em retalhos diferentes, a todo instante. Era impossível olhar diretamente para ele e manter a sanidade. Era o Devorador de Criatividade, o Inominável, o Novo Senhor Absoluto de Contonópolis.

“Meu Senhor!” Gritou Teodoro, após conseguir se soltar, se regenerar e vestir sua armadura, para correr até a sala do trono, agora corrompida pela presença incompreensível daquela entidade. O cavaleiro se curvou para não ter de fitar a monstruosidade inconcebível que estava a sua frente. “O Ceifador, meu Senhor! Ele o traiu. O maldito negro satanista me atacou, matou minha mulher-dragão, soltou os prisioneiros e mandou uma mensagem. O bruxo me mostrou uma arma de fogo contemporânea e disse: Deus Ex Machina”.

O Inominável fitou seu servo, que se sentiu incomodado, mesmo não olhando para o monstro. Então, a criatura urrou de ódio, fazendo toda a realidade tremer e quase se desfazer perante sua raiva. Teodoro foi jogado para trás e, por um instante, sentiu como se sua alma e seu corpo se separassem rapidamente e depois se reencontrassem, enquanto a própria realidade ao redor também se restabelecia. O Devorador sabia que o revólver de Gehenna era perigoso. A arma o ferira enquanto ele se alimentava. Quando ainda estava frágil. Antes de erguer todas aquelas defesas que faziam dele invulnerável. A arma era uma criação. Apesar de ser um objeto inanimado, era como se fosse um personagem. O maldito revólver SABIA como feri-lo. Sabia como evitar todas aquelas defesas. Mesmo que não o matasse, abriria sua guarda. Se os inimigos estivessem prontos, poderia ser destruído. Ele só tinha uma bala, não podendo ser recarregado graças às estúpidas especificações e regras de Gehenna, mas ainda assim, era perigoso e não queria se arriscar.

“Cacem o Ceifador! Empreguem qualquer meio necessário, mágico ou militar! Não importa como, mas quero aquele revólver destruído ou descarregado o mais rápido possível!” Ordenou, antes de se atirar aos céus, enquanto sua forma crescia e se modificava.

---------------------------------------------------------

“Ei, meuss queridosss, olhem o que eu achei aqui”. Disse Lobo chamando os também debilitados companheiros até um cômodo da taverna onde se revelava guardado um belo jipe enlameado.

“Puxa, isso vai mesmo facilitar nossa viagem”. Dahak se manifestou satisfeito.

“He, quem precisa de magia? E viva a tecnologia”. Rimou Malka.

“Ei, com isso, podemos buscar Daniele, Sean, Chucro e os outros”. Sugeriu Gehenna.

“Isso nos fará perder tempo. Não podemos nos dar esse luxo”. Preveniu o rei.

“E como pretende finalizar nossa jornada sem pelo menos uma bela garota em trajes mínimos e um idiota que fale bobagens para servir de alívio cômico? Temos de resgata-los”.

“Uhuuu! Obrigado, queridos heróis! Mas não precisam nos buscar!” Gritou Le Petit, afrescalhadamente saltitando pela entrada da taverna. Logo atrás (ui) estavam Chucro, Sean, Daniele e Aka.

“Mas como...?”

“Terreno de anti-magia. A petrificação não durou muito. Então os rastreamos até aqui”. Aka respondeu à pergunta de Gehenna antes mesmo dela ser feita.

“E agora estamos juntinhos novamente, amiguinhos! Ai, que mara!”

POWPOWPOW

Lê Petit cai ao chão com três buracos na cabeça feitos pela pistola fumegante de Malka, retirada do interior de seu sobretudo. “Sem magia, ele não reviverá. Então, por um tempo, a paz reinará”.

“Não caberemos todos no jipe. Acho melhor nos separarmos”.

“Isso enfraquecerá o grupo, Gehenna. Não é sensato”. Respondeu Dahak.

“Me ofereço para seguir as rainhas até a Arena e levar Le Petit, para que volte a reviver. Seria bom que Sean, Lobo e Daniele viessem comigo”.

Após uma rápida discussão, concordaram com o novo plano de Gehenna. Dahak, Malka, Chucro e Aka continuaram com o plano original.

“Porque resolveu trazer o paladino embaitolado, meu querido?” Perguntou o Lobo.

“Só pra ter uma desculpa para ficarmos com o jipe legal”. Respondeu Gehenna sorrindo enquanto dirigia para longe da taverna.

-----------------------------------------------------------------------------------------

“Acha que foi uma boa idéia vir pra cá?” Gritou Elara em seu brinco magicamente transformado em um ponto eletrônico, enquanto coordenava os outros poucos contistas sobreviventes a moldarem muralhas, campos de força e círculos de proteção contra os disparos de plasma, baforadas de fogo e tiros de canhão que os inimigos usavam contra a Arena que servia de base para a pequena resistência de Contonópolis.

“Não! Mas alguém tinha de fazê-lo!” Lady Draconnasti respondeu, enquanto voava pelo céu contra-atacando o incansável exército do Devorador.

“E porque diabos sobrou pra gente?”

“Os outros estavam impotentes!”

“Ah, é! Sem bolas. Só espero que o reforço chegue logo!”

Foi quando a dragoa albina parou no ar, atônita com aquela visão. Ela sussurrou algo, que Elara não conseguiu entender no momento, mas quando se conectou às câmeras da Arena e avistou a forma que emergia do castelo, ela entendera a mensagem. “Cuidado com o que deseja”.

De longe, parecia um dragão com inúmeras cabeças, mas seria muita sorte se fosse apenas isso. A coisa que voava na direção da Arena não era algo concebível nem mesmo pela mais insana das mentes. Era uma massa de tentáculos gigantescos com bocarras cheias de presas com saliva ácida, escamas laminadas e olhos esbugalhados espalhados por toda sua extensão. Dois ou três pares de asas, ou talvez apenas tentáculos modificados, impulsionavam a monstruosidade pelos céus. Parecia ser de todas as cores existentes, nenhuma cor e ainda várias cores inexistentes, tudo ao mesmo tempo. Não era algo possível. Não era algo impossível. Nem ao menos era algo. Era o Inominável.

“Tem razão, Kiara! Foi uma péssima idéia vir pra cá!” Desabafou Elara, se desconectando dos sensores óticos para manter sua sanidade por mais algum tempo. O Devorador estava vindo e nada podia ser feito.

---------------------------------------------------------------------------------------------------

Era possível ver de longe a terrível batalha que ocorria entre o exército do Devorador e a resistência dentro da fortaleza na qual a Arena havia se tornado. Gehenna dirigia tentando evitar inimigos, que eram abatidos à distância por Sean, quando surgiam, após terem conseguido armas e equipamentos em uma parada rápida para pilhar algumas moradias abandonadas. Lobo Branco havia voltado à sua habitual forma lupina, enquanto Gehenna estava maior, mais forte, peludo e selvagem do que sua forma humana normalmente demonstrava. A chuva continuava caindo forte, com ventos poderosos e raios vermelhos esparsos.

De repente, todos sentiram um calafrio na espinha que os fizeram olhar na direção do castelo. Arrependeram-se amargamente. Uma monstruosidade indescritível voava rapidamente na direção da Arena. A distância parecia se distorcer e reduzir na presença da criatura. Suas inúmeras bocarras urravam e gritavam, seus sons tendo gosto de morte e formato de sangue. No instante em que fecharam os olhos, para evitar o terror incompreensível do Inominável, quase bateram contra um pedaço de matéria escura que caíra bem na frente deles, forçando Gehenna a jogar o carro para o lado e parar.

“O que é isso?” Daniele perguntou, observando um padrão nebuloso na estrutura, às vezes conseguindo ver um ponto brilhante por trás das névoas.

“Acho que é um pedassço do sscéu...” Respondeu Lobo olhando para cima. O céu de Contonópolis estava rachando e se quebrando. Os buracos formados pareciam sugar tudo num vácuo existencial, formando furacões nos céus já tempestuosos. A realidade imaginária que mantinha a cidade estava se despedaçando com a presença da monstruosidade que absorvia para si até mesmo a criatividade residual ambiente.

“Ai, meu deeeus! Eu seempre quis um pedaçinho do céu pra mim!” Gritou Le Petit maravilhado com o que tinha a sua frente. Gehenna e Lobo se entreolharam.

POW

“Ainda ta cedo pra ele. O que estava dizendo, Lobo?”

“O sscéu esstá caindo, chefe. Tem um exérsscito entre nóss e a Arena. E o coisa ruim ta vindo. Não temosss chanssce”.

“Então vamos criar uma”.

---------------------------------------------

Jedis, Piratas, Andróides, Feiticeiros, Dragões, Fantasmas, Espectros, Elfos, Drows, Vampiros, Soldados, Orcs... Praticamente todos foram pegos desprevenidos, quando a enorme bola de fogo na qual o jipe havia se transformado passou em alta velocidade sobre eles, até se chocar violentamente contra as muralhas da Arena. Ao investigarem a carcaça flamejante do veículo, tiveram uma terrível surpresa, quando um enorme lobisomem negro, com olhos vermelhos e vestindo trapos chamuscados de uma calça, saiu rasgando e dilacerando os inimigos. Infelizmente, eles eram inúmeros. A criatura não teria a menor chance.

Se não fosse o grande lobo alvo de óculos e fitas do Senhor do Bonfim que começou a abrir caminho até o amigo, pegando vários inimigos pelas costas. Mas ele também não tinha chance. Apenas um leve apoio dos snipers escondidos em algum lugar, alvejando os inimigos que chegavam mais próximos de seus companheiros animalescos. Mas eles ainda não teriam a menor chance. Que tipo de plano estúpido conta com a sorte como principal apoio tático?

-------------------------------------------------

“Sabi ki até ki foi boa idéia largá o Le Petit cum elis? Assim, nóis num pricisa se precupá cum matá otras coisa ki num seja us inimigu”. Chucro observou inteligentemente, para o espanto de todos.

“Boa idéia mesmo foi conseguirmos transporte nesta carruagem amarela”. Aka disse, referindo-se ao táxi que conseguiram pegar pouco depois de saírem da taverna.

“Terreno não-mágico, sem transportes voadores ou teleportes a existir. Chamar um táxi foi o mais óbvio que pude presumir”. Malka respondeu, se esforçando para conter as rimas.

“Bem pensado, Malka. Assim, chegaremos bem mais rápido ao Zaratrusca’s Lake”. Disse o Rei Dahak, enquanto pensava se seu plano daria mesmo certo ao atrair os servos do inimigo para seu encalço. Logo saberia. Poemópolis e os possíveis reforços estavam cada vez mais próximos.
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Mensagempor Lady Draconnasti em 15 Fev 2009, 14:09

Mein gott...

Hora da porrada...

Meu voto é que esta rodada se encerre com Lobo, e milady Draconasti poste a parte final, ou talvez um epílogo, após nosso colega lupino.


É pra fechar de vez agora?
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Mensagempor Gehenna em 15 Fev 2009, 22:21

Nop. Dá mais uma enroladinha. Mas deixa encaminhado pro final. Desta vez, o Colapso não vai vencer.
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Mensagempor Lady Draconnasti em 16 Fev 2009, 00:26

Então teremos mais uma "rodada"? É isso?
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Mensagempor Lobo_Branco em 16 Fev 2009, 08:29

Não senhora minha, pelo o que Gehenna-que-já-foi-Sombra disse, vc posta, elara posta, eu posto e vc finaliza...pelo menos foi o que eu entendi...
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Mensagempor Elara em 16 Fev 2009, 15:21

Lobo_Branco escreveu:pelo o que Gehenna-que-já-foi-Sombra disse, vc posta, elara posta, eu posto e vc finaliza...pelo menos foi o que eu entendi...


Também entendi isso. :roll:

Pow, quem diria, Ceifador salvando o mundo, o Inominável numa versão inominável do Tiamat, o que mais poderá acontecer!?

XD

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Mensagempor Lobo_Branco em 16 Fev 2009, 15:32

Ronaldo apenas provou que td mundo - ou o FIlipe, rs - é fã de Lovecraft, pq ele com a gana de autores absorvidos, ele apelou p/ clichê de forma de Deus Negro do Abismo Profundo...rs

:cthulhu:


Muito boa a parte chefe, só não puxo tanto o "s" assim..rs
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Mensagempor Malkavengrel em 16 Fev 2009, 22:12

Bom pelo menos veio um taxi quando eu chamei... xP

Ficou muito bom.
O toque de Lovecraft da vida ficou bom. Ri muito da cena do montinho. E achei o uso do Deus Ex Machina melhor que o meu previsto. =D

No fim, só elogios. =P

Abraços.
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Mensagempor Gehenna em 17 Fev 2009, 15:33

Valeu, pessoal.
Po, pra mim, o Devorador de Criatividade era uma monstruosidade lovecraftiana desde o início. Ele só se disfarçava. :b

vc posta, elara posta, eu posto e vc finaliza...

Isso. :victory:
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Mensagempor Lady Draconnasti em 02 Mar 2009, 09:11

Desculpem a demora.

Faltou revisão e tempo pra fazer algo bem-feito como o coletivo exigia, mas eu fiz o meu melhor e não pretendo continuar segurando a fila.

Aí vai minha parte

=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=

- Malka, pvt A-GO-RA! – A voz agressiva da dragoa vermelha albina ressoou em seus ouvidos como poucas vezes acontecera.

- Mas o que houve agora? – Ele resmungou irritado. Não gostava muito dessas conferencias urgentes realizadas via mente. – Desculpa milady, mas eu estou ocupado agora...

- Eu também estou então presta atenção!

- Mas...

- Preciso que você o chame! Diga que sou eu quem está mandando ele sair daquela casa e vir ajudar! – Ela respondeu baixando o tom de voz. – Diga que é urgente!

- Ele? Ele quem, milady? – Malkavengrel perguntou também murmurando curioso e preocupado.

- Pesadelo!

- Mas perae!!! – Malkavengrel elevou a voz acidentalmente, chamando a atenção de seus companheiros. – Você ainda não t...

- Faz o que eu tô pedindo e eu te darei uma generosa recompensa mais tarde!

O Mago se deteve por alguns segundos antes de responder. – Eu ouvi papel premium A4?

- Colorido no photoshop, com cenário, impresso a lazer e com moldura a sua escolha. – Ela concluiu.

- Preta e lisa.

Ele voltou-se na direção de seus companheiros e percebeu, com embaraço, seus olhares assustados sobre si.

- O que foi? Perderam algo? – Perguntou tentando disfarçar.

- Nada. – Disse o rei segurando sofrivelmente um riso. – É só que você começou a falar sozinho do nada e ainda terminou dizendo “Preto e liso...”

Malkavengrel o olhou e pensou em repreende-lo pelo comentário maldoso. Limitou-se apenas a um “você me paga!” e cruzou os braços no banco do carona. Novamente o silencio de formou.

- Sabe onde tem uma agência dos correios? – Perguntou o Mago repentinamente ao taxista que os conduzia até o Zaratrusca’s Lake...

...

Lady Draconnasti nem mesmo respondeu ao final do acordo, como era de costume. Precisou interromper o contato para poder se esquivar de um tentáculo chicoteando o ar. “Se essa coisa me pega, eu to fu...” Pensa ela sentindo sua criatividade ser sugada. “Bem, espero que ele tenha uma indigestão com minha criatividade”.

De longe, ela vê Teodoro liderando o exército de espectros com eficiência e rosnou consigo mesma. “Lala, você me dá uma ajudinha aqui?”

- Claro, Nasti! O que você precisa? – A rainha respondeu ao chamado mental com seu ponto eletrônico.

“Preciso de uma onda sonora. Tem algo aí que possa me ajudar? Tipo... Karaisula?” Sugeriu a rainha dragoa com um certo nível de descaramento após visualizar outro alvo potencial.

Uma dama sombria que comandava seus servos de forma hesitante. Lady Draconnasti sorriu malignamente e iniciou seu mergulho em direção a ela, rugindo um desafio feroz.

- MINHA MUSAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!

- EU NÃO SOU A MU...

Dark Lady não teve tempo de terminar sua frase. Fora derrubada pelo corpanzil escarlate pálido, que esmagou muitos durante a queda. Levantou-se rapidamente, com a dama sombria presa em suas patas dianteiras, agitando o corpo e cantarolando alegremente numa súbita mudança de humor.

- MINHAMUSAAAAAAAAAAAAAQUERIDACOISAMAISFOFADANASTI!!!

-WHAT!!!

Durante o bizarro procedimento, seres eram varridos com movimentos aleatórios da cauda da dragoa ou esmagados pelos seus passos aleatórios. Ao mesmo tempo, uma voz doce preencheu o campo de batalha em uma canção fúnebre.

Lara karenai astarā toma.
Suli Eviērōa ga selēn’evami.
Lara karenai astarā toma.

- NÃO, ISSO NÃO, NASTI, VOCÊ ME PAGAAAAAAAAAAA!!! – Dark Lady praguejava enrubescendo o rosto pálido enquanto tentava se libertar do abraço poderoso usando seus poderes negros.

- Nham. – Foi o que a dragoa respondeu com grande satisfação, fazendo gelar a espinha de todos os que estavam próximos o suficiente para ouvir.

Havruīni Marunōa ku aranasa meni
Vaga divi ko minā karani
Subitamente a grande rainha colocou a Dama Sombria no chão e se colocou na frente dela, como se a protegesse.

- Vem coisa feia... Tem criatividade o suficiente aqui para te matar de dor de barriga. – Línguas de fogo vermelho transbordaram entre as presas da rainha dracônica anunciando o inferno por vir. Ela abriu um sorriso maligno e olhou para a criatura Lovecraftiana.

Na div’Ivi n’Aukimo jheronti,
Havruīni Marunōa ku aranasa meni.

...

Um assovio leve preenchia o silencio da retirada cabana no meio da floresta de Contonópolis, tão leve e tão ritmado que parecia acalmar o silêncio desesperador. Não havia pássaros ou grilos, nem folhas ao vento ou água corrente, nada além do assovio e um ocasional som de harpa.

A passos leves e calmos a elegante criatura élfica se deslocava pelo tosco caminho de pedras que levava até a decadente cabana de madeira. Os cabelos lisos e prateados do visitante caiam levemente pela capa verde clara, enquanto sua fina mão dedilhava quase que aleatoriamente a harpa feita de madeira.

Conforme se aproximava do destino assoviava mais alto anunciando sua presença, aos poucos foi diminuindo o ritmo até finalmente parar a frente da porta. Bateu. Bateu e Bateu a porta, produzindo um som oco e que inaudível de madeira velha.

- Elfo – Clamou o visitante esperando resposta – Eu venho portando presentes do outro lado do deserto.

Alguns segundos de espera e a porta se abriu. Um elfo - de cabelos negros e olhar penetrante que analisava o barulhento visitante - se encontrava sob o umbral da velha cabana. Um sorriso malicioso nascia na face do anfitrião.

- Mandaram um bardo para alegrar minha estadia, ou uma isca para minha caçada – Falou.

- Não, Pesadelo – Falou o bardo, adentrando a cabana – Eu, Laucian, vim trazendo presentes, como f...

- É, como caçada você não teria graça. – Interrompeu, tanto a fala como o adentrar. – Você é muito barulhento, me tirou de meu preciso sono.

- Oh! – Exclamou o bardo. – Desculpe-me minha completa falta de respeito por interromper o seu precioso sono, sobre o qual estou pouco me importando. Eu trouxe dois presente – Falou o bardo jogando aos seus pés duas espadas. – E uma mensagem.

O Assassino a reconhecer suas lâminas, recolheu-as do chão se dignando a curvar-se sobre o pé do bardo, e deixando-o entrar.

- Então pergunto. Quem é aquele que traz Bashir e Khalid para mim, conhece meu passado e ainda assim não tem medo de vir até mim?

O Bardo apenas sorri e responde:

- Sou Laucian Laetithar, vim trazendo uma mensagem dos Superiores.

- Eu não quero saber o que os Deuses têm a dizer – murmurou Pesadelo.

- Quem falou em deuses?! – Indagou Laucian – Meu mestre me mandou, a mando da Regência de Contonópolis... Ela pede sua ajuda.

...

A batalha seguiu acirrada, apesar da rainha dracônica saber que não podia dar conta do ser mesmo com a ajuda dos demais. A cada golpe, sua essência criativa desvanecia levando consigo sua forma e revelando a pessoa por trás da Draconnasti.

O Inominável era rápido em seus contra golpes, mas onde a pena pentel negra da dragoa falhava em ferir, a caneta digitalizadora proferia imensos ferimentos que demorariam para cicatrizarem. Aquilo o enervou mais ainda, pois ele desconhecia tais armas.

- Amore, quando continuamosss o X? – Uivou o lobo de óculos para ela, na esperança de um novo fluxo de criatividade irrompesse.

- Quando você quiser! Você só precisa aparecer mais cedo no meu covil. – Ela respondeu. – Hylia está parada tem bastante tempo e vive reclamando para que eu termine de escrever qualquer coisa com a participação dela!

Draconnasti já não conseguia mais usar seus feitiços, nem mesmo seu sopro. Nem conseguia mais gritar alto o suficiente para pedir à Rainha Feiticeira por uma nova música, então se virou cantarolando as que já conhecia no ritmo quebrado de sua respiração ofegante. Uma canção obscura, mas que ela muito gostava.

- Credo, amore, que humor!

- Ce não viu nada, amore. – Rosnou ela impaciente.

Sabia que precisava ganhar tempo para que eles pudessem chegar. Seus sete meses de brainstorm estavam sendo de grande ajuda.

Cada pedaço amputado pelas armas da rainha causava uma dor cruel e retardava a poderosa regeneração do ser. O glamour feérico deixava seu rastro fantasmagórico no ar carregado, consumindo lentamente a sombra. Lentamente demais.

“Cadê aquele maldito?!” Ela pensou.

Com um rápido salto e um bater de asas, ela se afastou ao máximo do Devorador de Imaginação e usou a caneta digitalizadora para desenhar um grifo no ar. Uma linha branca luminosa marcava o traço até ser finalizado, fazendo com que o ser criasse vida e atacasse o inimigo, que o repelia com algum trabalho.

Desenhou além desse, um dragão, um homem, um grande gato, um demônio de lâminas e uma chapeuzinho vermelho de metralhadora. Todos vencidos, mas não sem dar sua parcela de destruição ao ser.

Com a pena pentel, escrevia frases breves, enquanto sua mente trabalhava o resto, formando-as em cenas. Seu poder transformava aqueles tópicos isolados em efeitos reais. Descreveu uma chuva de agulhas, uma nevasca, uma erosão e uma tempestade de raios sobre a criatura Lovecraftiana, mas nem mesmo isso pareceu ser mais que um paliativo.

A cabeça da dragoa doía. Estava cada vez mais difícil pensar em algo, para piorar, sua garganta estava muito seca. Precisava descansar, ler, dormir, comer chocolate... qualquer coisa, que não desenhar ou escrever.

De súbito, algo atinge o Inominável pelas costas, arrancando-lhe um furioso rugido de dor. Seus tentáculos tentaram chicotear seu agressor, mas ele já havia desaparecido. Furioso, ele tentou detectar a presença de um novo fluxo criativo e o detectou sobre um rochedo próximo. Era uma criatura de porte mediano, vestindo uma armadura leve de couro com revestimento de metal.

O Devorador teria lambido os lábios, se os tivesse, diante de uma refeição tão suculenta. Aquele não era um escritor, era um personagem, mas estava tão embebido da poderosa quintessência que lhe parecia irrecusável.

Pesadelo o olhou arrogante, sem mesmo ter vontade de esconder sua presença.

“O que é que você está fazendo, seu ladrão de meia-tigela?!” A rainha dracônica irrompeu em fúria em seus pensamentos. “Não é pra tocar a sineta do jantar, é pra nos ajudar a conseguir mais tempo!”

- Confia em mim? – Ele sibilou calmamente.

“Andou assistindo Alladin também?” Ela perguntou com sarcasmo. “Você sabe que eu não tenho escolha. Agora vem ajudar ou então diga adeus a sua história!”

- Persuasiva como sempre... – Pesadelo riu desembainhando suas espadas.

“Ei!”

- O que?

“Toma cuidado. Eu não quero perder o trabalho de cinco anos da minha vida.”
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Crônicas de Contonópolis: A Guerra dos Sonhos

Mensagempor Elara em 02 Mar 2009, 14:31

OMG!

Sou eu!

Volto depois com comentários sobre a parte da Nasti.

Chero!
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Crônicas de Contonópolis: A Guerra dos Sonhos

Mensagempor Elara em 13 Mar 2009, 16:45

Bom, já que ninguém mais postou, lá vão as minhas considerações sobre a parte da Nasti:

Ficou ótimo, deu a deixa perfeita para eu continuar! XD

Quanto à minha parte, segue abaixo. Ficou um pouco longa, mas acho que valeu a pena.

Divirtam-se, e se possível, comentem.

Chero!

===============================================================================

A Guerra dos Sonhos
O princípio do fim


O táxi parou subitamente nos limites de Contonópolis. O motorista virou-se para os tripulantes, dizendo:
— Só dirijo até aqui. As terras de Poemópolis podem ser um desafio para qualquer um que transponha seus limites despreparado. Paguem a corrida e desçam, por favor.
— Envie a conta para o atual Magistrado Superior de Contonópolis. Ele é o responsável por essa viagem... – retrucou Dahak.
O grupo desceu do carro e, tão logo pisaram o solo, sentiram algo diferente. Um aroma de flores, uma música de amores, um sussurro de ódio, um clamor ao ócio... Casas entre bananeiras, moças entre laranjeiras, pomar, amor, cantar, como diria Drummond.
— Ah, que bom estar em casa, mesmo Contonópolis em brasa! – exclamou Malkavengrel.
— Essas montanhas, essas campinas verdejantes, o som dos bandolins, as musas faceiras rondando por todos os cantos, inspiração... Ah, só com minhas bolas mesmo para desfrutar inteiramente o prazer de estar aqui... – disse Dahak em um suspiro.
— Vocês vão ficar aí respirando os ares cor-de-rosa ou vão salvar o mundo? – gritou Aka de cima de uma grande rocha, tentando visualizar melhor o local.
Os dois, como que saindo de um transe, começaram a subir o rochedo, cuja extensão tinha esculpida versos de guerras esquecidas.
— O que vê daí de cima? – perguntou Dahak enquanto escalava.
— É incrível. Há casebres, um mini-castelo, montanhas e colinas ao longe, tudo elevado do chão, que parece ser tecido de um grande trabalho em verso. O mais interessante é que há um lago... – descreveu Aka.
— Um lago vertical, você quer dizer. Acima do chão, é o que parece ser. – rimou Malka, enquanto ajudava Dahak a terminar a subida.
— Isso. Zaratrusca’s Lake - concluiu o Magistrado - É para lá que vamos.


Enquanto isso, na Arena, as coisas estavam cada vez piores. O Inominável virara-se momentaneamente para Seth, o Pesadelo, preparando-se para descasca-lo em mil pedacinhos de criatividade. Ele sorria com sarcasmo para a criatura, empunhando suas espadas de modo desafiador.

— Ei, você me custou muitas horas de revisão também! Se fizer besteira eu, eu, eu... bah, apenas não faça besteira, ok? – gritou Elara para a personagem que ameaçava atacar.
— Você também? – disse enquanto meneava a cabeça, desdenhando da preocupação das Magistradas.

Em um impulso, elevou-se entre os pedaços do céu que caíam, causando tremores no que restava de Contonópolis. Desferiu então uma sucessão de golpes sobre a criatura, que não conseguia compreender como seus golpes podiam lhe causar dor. Milhares de tentáculos tentavam agarrar a personagem, que se movia com rapidez por entre as pilastras da arena, rasgando algumas partes da essência criativa do monstro que, tão logo começavam a cair, entravam novamente na criatura, se refazendo.

Os esforços de Lobo_Branco, Gehenna, Lady Draconnasti, Chucro e Elara somavam-se aos de Seth, entretanto, tudo parecia um paliativo naquele momento.


Correndo entre campinas, logo Aka, Malka e Dahak chegaram ao lago vertical.
— Interessante que todo o chão é feito de versos... – comentou Aka.
— Sim, minha cara, por isso as chamamos de campinas versejantes. – afirmou Dahak, com certa autoridade.
— Mas como vamos fazer para o lago atravessar? Parece até que é impossível passar! – exclamou Malka.
— Está bem aqui. – disse Dahak enquanto, agachado, procurava por algo entre as gramíneas. – Oh sim. – abriu em seguida um pequeno alçapão do qual tirou uma placa, com os seguintes dizeres:

“A todos os que quiserem o lago atravessar, versos heróicos hão de compor.
Mas há também que ponderar, pois sem conseguir, cairão em torpor.
Conseguindo, entretanto, serão transpostos
E em outra realidade estarão dispostos.”


— O que isso quer dizer? – perguntou Aka.
— Que temos que compor um verso decassílabo heróico para passar. Se não conseguirmos, podemos cair em coma por tempo indeterminado. – explicou Dahak.
— Magia... – balbuciou Aka.
— Não é magia, é poesia. – rimou Malka, estranhando a familiaridade da frase.

Com algum esforço, Malka e Dahak conseguiram compor algo satisfatório para passar. Não, o narrador não pode pronunciar os versos compostos pela dupla, pois isso seria como uma senha livre para todos os que quisessem por ali passar novamente.

Ao ser transpostos, Dahak, Malka e Aka caíram em uma sala de paredes cujo veludo vermelho brilhavam aos olhos dos visitantes. Os móveis, de couro e madeira escuros, davam ao ambiente um aspecto elegante, porém fúnebre, iluminado pelo grande lustre que pendia do teto.

— Que querem aqueles que me visitam? – uma voz conhecida povoou o ambiente.
Aka colocou a mão na bainha de sua espada, sentindo-se ameaçada. Malka segurou em sua mão, balançando a cabeça negativamente para que ela não manifestasse nenhuma reação hostil.
— Ora, Zaratrusca, está desconhecendo um Magistrado? – inquiriu Dahak.
— Bah, era só para dar uma entrada triunfal. – disse Zaratrusca enquanto, em seu manto da cor do veludo da parede, descobria-se, mostrando suas mãos brancas e parte do rosto, onde se podia ver um volumoso cavanhaque.
— Meu caro, já deve saber o que está acontecendo. Estamos em guerra na cidade de Contonópolis. Mais uma vez querem roubar nossa criatividade. E dessa vez o vilão irá até o fim, pelos rumos dos acontecimentos. – esclareceu Dahak.
— Ah sim, fiquei sabendo quando socorri o Malkavengrel – disse ele enquanto sentava em uma confortável poltrona negra. – Sentem-se e me digam: o que esperam que eu faça?
Os três sentaram-se em um sofá, de onde podiam sentir com os pés o tapete felpudo disposto sobre parte da sala.
— Na verdade estamos procurando uma solução diferente, já que tentamos de tudo e não conseguimos ir muito longe na destruição deste ser inominável. – suplicou Dahak.
— Ora, vocês disseram que esse monstro se alimenta de criatividade, não é?
— Exato.
— Criatividade brota do caos, isso é um fato. – comentou o poeta, pensativo.
— Certo, mas em que diabos isso irá nos ajudar a destruir o monstro? – perguntou Dahak, impaciente.
— Veja, não foi muito mais difícil entrar aqui compondo um verso heróico do que teria sido simplesmente recitando qualquer coisa do Modernismo? – desafiou Zaratrusca.
— De fato, compor versos decassílabos heróicos exige mais prática. – acompanhou o Magistrado.
— Então, já sei como ajuda-los. Ao menos momentaneamente.
— Como? – perguntaram os três, em coro.

A estranha figura semi-curvada levantou-se, cruzando a sala em direção a uma porta cuja maçaneta, da mesma cor das paredes, tornava-se praticamente imperceptível.
— Esse lugar me dá medo... – sussurrou Aka.
Girando a maçaneta, Zaratrusca adentrou em um armário escuro, do qual tirou um utensílio semelhante a uma rede de pesca, cujo brilho prateado assemelhava-se ao de uma lua cheia.
— Com todo respeito, não queremos pescar. Se quiser ajudar, é melhor uma solução apresentar. – retrucou Malka.
— Isso não é uma simples rede de pesca! Se querem aprisionar o monstro, padronizem a criatividade. Isso deverá ajuda-los. Trata-se de uma rede padrão, composta por versos decassílabos, hendecassílabos e dodecassílabos. Ela poderá neutralizar o inominável por dez minutos, mas não posso garantir mais que isso. Ah, e ele terá que estar em uma forma com até dois metros de altura, para garantir que a rede possa captura-lo.
— E como fazemos para voltar rapidamente a Contonópolis? – perguntou Aka, temendo pelo destino da cidade.
— Não muito longe, há um poema da Magistrada Elara chamado As Horas. De alguma forma, a postagem desse poema gerou uma espécie de portal rápido para Contonópolis, com uma espécie de vórtex no tempo, que os fará voltar meia hora antes, isto é, no mesmo horário em que chegaram a Poemópolis. Entretanto, é um portal caótico, ou modernista, como queiram chamar, que poderá deixa-los em qualquer ponto de Contonópolis. – indicou Zara.
— Essa Elara... – disse Aka.
— Entrem por esta porta e logo chegarão ao poema. Minha sala é cheia de atalhos-padrão.

O grupo rapidamente pôde chegar ao poema, e, entrando por ele, foi largado no... [narrador jogando dados aleatórios] ...no alto de uma torre de observação, a dois quarteirões de distância da Arena.
— Tenho que te contar uma coisa, Malka. – disse Dahak.
— O quê?
— Acho que o Zaratrusca na verdade é a Weaver...
— Mas que hora para você me revelar alguma coisa assim! - Malka arregalou os olhos de espanto.
— Ei, vocês conversam muita porcaria, sabiam? Olhem para lá! – Aka apontou para o bafafá na Arena. – Quem é aquele elfo bonito e habilidoso lutando com o inominável?
— Não interessa, vamos embora para lá agora!

Desceram da torre e, correndo, rapidamente chegaram ao local, onde todos os outros estavam cansados e ofegantes, porém resistindo firmemente. Dahak avistou Elara, que manipulava ondas de rádio para solicitar reforços aos últimos personagens que ainda poderiam oferecer alguma resistência. O Magistrado contou rapidamente da ida a Poemópolis e do que deveria ser feito.
Como que em um surto, Elara sentou-se na calçada, abrindo um notebook que carregava na mochila.
— Isso é hora de redigir alguma coisa? – irritou-se Dahak.
— Mais do que na hora, diga-se de passagem. Aliás, excelente idéia transformar Contonópolis em zona wireless. Você disse que precisa que o monstro assuma uma forma com até dois metros de altura, não é? Estou providenciando. Apenas dê-me cobertura.
Sem entender muito bem, Dahak usou suas últimas forças para transformar-se em tarrasque e lutar o último combate. Elara redigia algo e enviava freneticamente por e-mail. “Morra, maldito!, pensava ela.”
Ela levantou-se em seguida e começou a olhar no relógio. “Dez, nove, oito, sete, seis, cinco, quatro, três, dois, um,” contou baixinho.

Uma multidão de jornalistas veio correndo dos quatro cantos da internet, fotografando e registrando tudo, procurando os Magistrados para colher informações e causando um grande tumulto. Alguns armavam tendas e começavam a escrever textos medíocres, com muitos erros ortográficos, na pressa de colocar na internet, em uma corrida acirrada pela instantaneidade da informação. O inominável, rapidamente, começou a alimentar-se da criatividade deles, tentando se defender da enxurrada de flashes e gravadores apontados para ele.

Dentro de pouco tempo, a forma da criatura começou a mudar, assumindo uma estatura mediana, de óculos de grau, coletinho com muitos bolsos, bloco de papel na mão e caneta na outra, com máquina fotográfica pendurada no pescoço.
— Rápido, joguem a rede! – gritou Dahak.
Malka e Aka correram em direção ao inominável jornalístico, que protestou:
— Isso é contra a liberdade de imprensa! – sendo em seguida enredado.
— E agora, que faremosssss? – perguntou Lobo Branco.

Os olhos de Gehenna brilharam.

CONTINUA...
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Crônicas de Contonópolis: A Guerra dos Sonhos

Mensagempor Lady Draconnasti em 13 Mar 2009, 20:34

Trata-se de uma rede padrão, composta por versos decassílabos, hendecassílabos e dodecassílabos.


APELÃO MALDITO!!! XD

Ok, Lala, eu ri.
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