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Dublê

MensagemEnviado: 22 Mar 2008, 20:05
por Tybert
Chatice ociosa
expoente do estorvo
cabeça vazia
O que acha que é?

Pequenês inexorável
sintoma inegável
attention whore
sexo em falta.

Dublê

MensagemEnviado: 23 Mar 2008, 23:40
por Sr.Personna
Recortou palavras/frases de revistas e depois escolheu ao acaso?
sim, tem alguma sonoridade e força.
Mas cada verso não soma a estrofe e as estrofes juntas não dão uma unidade de poema.
São versos jogados, sem se tornar uma obra.

Dublê

MensagemEnviado: 24 Mar 2008, 14:36
por Tybert
Você descreveu um processo de criação dadaísta, embora não tenha sido o meu caso. :P

Dublê

MensagemEnviado: 24 Mar 2008, 14:45
por Elara
Dessa vez discordo do Personna.^^'

Há sentido próprio, e o próprio sentido indica a qualidade da obra.

Parabéns pelo poema.

Chero!

Dublê

MensagemEnviado: 25 Mar 2008, 19:39
por Sampaio
Céus, hoje resolvi ler essa seção depois de um tempo e vejo uma sequência de "equívocos" - para ser bonzinho -, do Sr.Personna.

O poema não parece dadaísta, não soa dadaísta. Não parece ser ao acaso, e definitivamente é uma obra.

Vc tem de entender Personna, que por mais que lhe cause incomodo o fato de vc gastar muito do seu tempo na escolha das palavras, rimas e métricas de alguns de seus escritos, ninguem é obrigado a fazer o mesmo, e isso tb não a torna uma "poesia menor".

Torna-se menor, isso sim, uma postura vergonhosamente arcaica, desprovida de conhecimento sobre poesia e de uma visão preconceituosa e sem senbilidade poética.

Poesia não é apenas uma engrenagem estruturada, um barquinho de montar. É tb um gozo, sujo e direto, contanto tenha pulsão ou mensagem.

Dublê

MensagemEnviado: 25 Mar 2008, 20:16
por Sr.Personna
Sampaio,

E é incrível como o Modernismo, que chegou dizendo que nos livraria das amarras da ditadura estética dos movimentos formalistas do passado, hoje propicia essa nova ditadura.

Porque é tão errado eu rejeitar esses padrões impostos nos últimos sessenta anos e resgatar outros, atualizados e modificados é claro, mais antigos? Tenho sim minhas visões. E elas não são mais radicais do que as dos modernosos. São apenas distintas.

Não vejo unidade estética, sonora ou ritmica nesses versos. Há sim elementos interessantes como a força de alguns versos e algum lirismo, mas isso não sustenta a poesia.

Poesia é sim um barco de montar, lapidar os versos. Se não quer usar as ferramentas arcaicas e carcomidas pelo tempo, faça as suas!

Rabiscar versos num rompante não é nem nunca foi poesia. Não chamo de poesia o que escrevi aos meus quinze anos. São versos jogados, sem nenhuma pretensão. Sem cuidado de dar-lhes uma bela forma ou de fazê-los causar mais impacto do que cada palavra individualmente.

O melhor poema de Amor não é o que se escreve a palavra "Amor" o maior numero de vezes e nem o mais ofensivo faz o mesmo com a palavra "Cú"

Atenciosamente.

Dublê

MensagemEnviado: 25 Mar 2008, 21:40
por Sampaio
E é incrível como o Modernismo, que chegou dizendo que nos livraria das amarras da ditadura estética dos movimentos formalistas do passado, hoje propicia essa nova ditadura.

Porque é tão errado eu rejeitar esses padrões impostos nos últimos sessenta anos e resgatar outros, atualizados e modificados é claro, mais antigos?


Vc pode resgatar os padrões que preferir, mas uma coisa é apreciar e valorizar mais um estilo de obra, e outra é dizer que uma poesia que não segue a estética de sua predileção simplesmente não é uma poesia.

Nem os mais radicais modernistas falaram que os parnasianos não eram poetas, ou que seus poemas simplesmente "não são uma obra".

Perceba portanto a diferença de uma crítica e de um resgate cultural, para simplesmente uma manifestação de ignorância.

Há sim elementos interessantes como a força de alguns versos e algum lirismo, mas isso não sustenta a poesia.


Então o quê sustenta?
Precisarei recitar o que o Madruga postou no tópico "New Deal"? Precisarei citar alguns outros autores além deste para lhe demonstrar que a poesia não é o que vc parece acreditar que é?

A margem entre poesia e versos livres é extremamente tênue e só desta obra do Tybert ter todas as características que vc apontou, já a torna uma poesia.
Se discorda, cite fontes. Atuais, por favor.

Poesia é sim um barco de montar, lapidar os versos. Se não quer usar as ferramentas arcaicas e carcomidas pelo tempo, faça as suas!


Não. Não necessariamente.
Por mais que lhe incomode vc suar em cima de uma poesia pra dignifica-la como "poesia"e outro escrever de impulso num papel e tb chama-lo de poesia, isso é algo que vc terá de conformar-se (ou provar que estou errado).
Vc faz um tipo de poesia, e ele outro. Não é uma questão de concorrência, é uma questão de característica.

Volto a lembrar-lhe do trecho citado pelo Madruga e o que eu disse acima.

Não chamo de poesia o que escrevi aos meus quinze anos.


Vc tb pode chamar "carro" de "nevaquistão" e "livro" de "carpulanga", que eles não deixarão de serem carros ou livros.

O melhor poema de Amor não é o que se escreve a palavra "Amor" o maior numero de vezes e nem o mais ofensivo faz o mesmo com a palavra "Cú"


Concordo, e daí?

Dublê

MensagemEnviado: 25 Mar 2008, 23:36
por Tybert
http://spellrpg.com.br/forum/viewtopic.php?f=25&t=1217
Em uma das respostas do tópico acima eu falei um pouco da minha visão da poesia e do meu lirismo. Acredito que eu não tenha exatamente pretensão de ser gênio, muito pelo contrário.

Até mais...

Dublê

MensagemEnviado: 26 Mar 2008, 14:12
por Mirallatos
Dois centavos:
Se alguém não sabe tocar violão, emite um barulho (acordes desconexos) e depois chama de música ("minha canção moderna"), será música? Pois então que frases sobrepostas sejam poemas.

E isso não tem nada a ver com a beleza das frases...ou das notas aos ouvidos de cada um.

Nem os mais radicais modernistas falaram que os parnasianos não eram poetas, ou que seus poemas simplesmente "não são uma obra".


Claro, muitos deles haviam começado nos moldes antigos, só resolveram se "libertar". Ou você acha que eles resolveram do dia para noite "modernizar" a poesia?

O negócio é que eles queriam desconstruir mesmo. E se você DESconstrói, significa que aquilo não é mais, foi desmontado... A menos que o senso comum admita a mudança, mude o conceito, reveja, não por ignorância, mas por admitir que aquela manifestação pode ser mais abrangente, aquilo não passará de um simples grito que cara quiz chamar de poesia.

Aí tudo bem.


Vc tb pode chamar "carro" de "nevaquistão" e "livro" de "carpulanga", que eles não deixarão de serem carros ou livros.


Da mesma forma, você não pode simplesmete criar barulho de chamar e música. É por isso que hoje qualquer porcaria é vista como arte, seja um vaso sanitário numa sala ou uma azeitona num prato.

E protestar não garante que o objeto usado como instrumento seja respectivamente uma manifestação, poética, musical ou teatral. Eu sei que tu sabes disso Sampaio.

Dublê

MensagemEnviado: 26 Mar 2008, 16:26
por Elara
Em seu DVD Prenda Minha, Caetano Veloso evoca diversas correntes de pensamento que defendem a música pós-moderna, referindo-se a alguns compositores mais conservadores como vorazes consumidores dessa referida música desconstruída. Em seguida, toca um techno-batucada, que seria vista por muitos aqui como simples barulho, mas que sabe-se, figura nesta corrente pré-citada. O refrão da música:

"Chicago
Negro
Alemão
Bossa-nova
Gay

Chicago
Negro
Alemão
Timbaleiro
Gay

Chicago
Negro
Alemão"

Diz algo? Simplesmente lendo os versos, não. Entretanto, o pós-modernismo em que vivemos atualmente é totalmente aberto a esse tipo de manifestação, bem como também está aberto aos movimentos neoclacissistas de vanguarda. O pós-modernismo não se justifica, ele apenas é. E uma das formas que mais recebe influências do pós-moderno é a arte, seja na Poesia, seja na pintura, seja na arquitetura.

Por isso toda essa celeuma sobre o que é, e o que não é. Atualmente, estamos vivendo uma fase de mudança de perspectiva. Nenhuma corrente começa da noite para o dia, e estamos no meio de um processo no qual esta nova corrente pós-moderna vem se construindo (ou desconstruindo).

Se quiserem que eu justifique tudo com bases teóricas, eu trago algumas referências aqui, mas julgo um tanto quanto desnecessário. Esses são apontamentos que discuti em sala de aula, quando estudávamos Sociologia da Mídia, no ano passado.

Dublê

MensagemEnviado: 26 Mar 2008, 19:25
por Sampaio
Mirallatos: A música segue um critério muito diferente da poesia. Repito pela enésima vez que, se precisar de fontes, pode usar a do Madruga no "New Deal"que tb se aplica para demonstrar que essa obra do Tybert é um poema.
Se precisar demais, trarei.

No mais, a música foge da instância poética. Uma sequência de barulhos pode ou não ser música. Complemento ao que a Elara expôs da seguinte forma:
A descontrução musical, o "pós-modernismo" musical, já ocorreu, e não envolvia simplesmente sons aleatórios. Podemos citar como exemplo na música erudita, a dodecafonia de Schoenberg, ou mais atual o movimento psicodélico e/ou progressivo. Na música brasileira temos o Tom Zé, que constantemente faz "maluquices musicais". E sào músicais.

Para explicar isso de forma resumida, terei de resgatar o conceito de arte apolínea e dionisíaca, usada pelos gregos e popularizada pelo fantástico ensaio de Nietzsche em "O Nascimento da Tragédia": a ruptura pós-moderna consistiria em fazer arte focando-se (ou até exclusivamente) na parte dionisíaca, negando a apolínea ou modificando-a.

O Personna faz uma arte quase que exclusivamente apolínea, vc tb Mirallatos, mas o Tybert procura fazer uma dionisíaca, e tem todos os componentes de uma obra dionisíaca: a pulsão, o sentimento, a vibração, o lirismo modificado, a manifestação, ou até, como diria Ferreira Gullar, a "diarréia poética".

Na música idem. Se vc ouve o primeiro cd do Pink Floyd verá que todos os elementos musicais estão ali. A música soa de uma forma que comunique um sentimento, embora nem sempre este seja agradável, enquanto a letra tb procura buscar apenas imagens, que façam sentido ou complementem a letra.
E não deixa de ser música.

A comparação mais apropriada portanto, entre essas duas rupturas, seria aí: a ruptura musical - que já ocorreu - (Schoenberg, Zappa, Pink Floyd, Tom Zé) com a ruptura poética, o qual o Tybert representa aqui.

Se ele faz isso com exímio ou não é outra história, mas faz seu papel e transmite essa energia, esse pensamento interrompido, esse gozo verbal. E é absurdo dizer que isso não é poesia.

...Por mais que isso incomode vcs, que dedicam tempo e trabalho na sonoridade e metrificação da poesia.

E talvez seja assim que Villa Lobos se sentiu quando ouviu Pink Floyd, mas ambos não deixam de ser excelentes.

Dublê

MensagemEnviado: 26 Mar 2008, 19:48
por Dahak
Tybert, não entendi muito bem a mensagem do poema.
Poderia, por favor, explicar-me?

Dahak Out

Dublê

MensagemEnviado: 26 Mar 2008, 19:55
por Mirallatos
É como eu disse no outro tópico (argh...que estranho esse debate espalhado), vejo uma clara diferença Obra de Arte e Obra Literária.

Dublê

MensagemEnviado: 26 Mar 2008, 20:04
por Tybert
A mensagem é que a pequenice como ser humano é proporcional à sua chatice,vontade de aparecer e falta do que fazer.

Dublê

MensagemEnviado: 26 Mar 2008, 22:07
por Dahak
Hun...entendi. :)
Muito obrigado.

Foi intencionional a "escadinha" da segunda estrofe?

Dahak Out